Catecismo Budista — Henry S. Olcott
Tradução para o português do Brasil

Os últimos anos do Século XIX viram chegar a Sri Lanka (então Ceilão) um notável norte-americano que ia aprender sobre Budismo, e que acabou sendo o agente que reunificou as seitas dispersas, despertou a nação e os inspirou a reconhecer e defender seu legítimo lugar.

Henry Steel Olcott, Presidente Fundador da Sociedade Teosófica, continuou em Burma seu trabalho em prol da revitalização do Budismo, estendendo-o a todo outro país onde houvesse residentes budistas.

Suas visitas a meios religiosos do Japão, em 1889, culminaram na realização de um Concílio que congregou as diversas igrejas budistas daquele país; Concílio que ele organizou e dirigiu.

Cumpria assim o Coronel Olcott com a proposta de revalorizar as religiões por meio de seu estudo e comparação, o que permite advertir aqueles princípios essenciais comuns a todas e possibilita uma aproximação consciente e cordial de seus respectivos seguidores.

Com esta edição, a Sociedade Teosófica na Argentina rende homenagem ao Presidente Fundador, falecido em 17 de fevereiro de 1907 que, desde a história, nos inspira a seguir trabalhando pelos ideais de Fraternidade e esclarecimento do ser humano, dos quais foi promotor e exemplo.

CERTIFICADO PARA A PRIMEIRA EDIÇÃO

COLÉGIO VIDYODAYA

Colombo (Ceilão), 7 de Julho,

Pela presente certifico que examinei cuidadosamente a versão cingalesa do Catecismo preparado pelo Coronel H. S. Olcott, e que ela está de acordo com os cânones da Igreja Budista do Sul.

Recomendo a obra aos mestres das escolas budistas e a todos os que desejem informar aos principiantes das características essenciais de nossa Religião.

H. SUMANGALA Sumo Sacerdote de Sripada e Galle, e Principal do Vidyodaya Parivena DEDICATÓRIA

Em prova de respeito e afeto, dedico este livro a meu conselheiro e amigo de muitos anos, Hikkaduwe Sumangala, Pradhāna Nāyaka Sthavira e Sumo Sacerdote do Pico de Adão (Sripada) e da Província Ocidental.

H. S. Olcott Adyar, PRIMEIRA PARTE

A VIDA DE SIDDHĀRTHA GAUTAMA

PERGUNTA.- A que religião 1 o senhor pertence? RESPOSTA.- À budista.

2. P.- O que é o Budismo ou Budismo 2? R.- É um conjunto de ensinamentos pregados pelo grande personagem chamado Siddhārtha Gautama 3.

A palavra "religião" é das mais inadequadas para aplicar ao Budismo, que não é uma religião, mas uma filosofia moral.

Mas pelo uso, a palavra tem sido aplicada para designar a doutrina moral particular dos povos, e assim a empregam nas estatísticas.

Os budistas de Ceilão (atualmente Sri Lanka) nunca lhe deram o significado do que os europeus implicam na construção etimológica da raiz latina desse vocábulo.

Em seu credo não há nada que "ligue", no sentido cristão, ou seja, uma submissão ou fusão do eu em um Ser Divino.

Sua palavra local para designar sua relação com o Budismo e com o Buda é Agama, que é sânscrita e significa "aproximar-se ou chegar". E como "Buda" significa iluminação, a palavra composta com que designam o Budismo é Buddhagama, que pode traduzir-se como "aproximação ou caminho à iluminação". Os missionários, ao encontrar à mão a palavra Agama, a adotaram como equivalente de "religião"; e eles chamam ao Cristianismo, Christianagama, quando deveria ser Christianibandhana, pois bandhana é o equivalente etimológico de "religião". Também aos budistas se lhes chama Vibhajja vada (o que analisa), e Advayavadi.

Com esta explicação, continuarei empregando a palavra em favor do leitor.

Budismo e Buda em sânscrito.

Budismo e Buda em espanhol.

Deve-se ter presente que, no Oriente, Budismo significa a "religião" de Buda; enquanto que Budismo (com um d), significa Bodha, ou Bodhi, sabedoria.

(N. do T.) 3 Siddhārtha Gautama alcançou o estado de iluminação (Buda) em sua última encarnação.

primeira parte

3. P.- É a palavra "Budismo" a mais adequada para esta doutrina? R.- Não. Essa palavra é apenas um termo ocidental.

A palavra mais adequada é Bauddha Dharma.

4. P.- Chamaria de budista a uma pessoa meramente por ter nascido de pais budistas? R.- De modo algum.

Budista é aquele que não só professa a crença de que Gautama foi o mais nobre dos Instrutores, que crê na Doutrina que Ele pregou e na Fraternidade dos Arhat-s, mas que pratica Seus preceitos na vida diária.

5. P.- Como se chama um budista varão, leigo? R.- Upasaka.

6. P.- E como uma mulher budista? R.- Upasika.

7. P. — Quando foi pregada primeiramente esta doutrina?
 R. — Há algum desacordo quanto à data exata; mas, segundo as Escrituras do Ceilão, foi no ano 2513 do presente Kali Yuga¹.

8. P. — Dai-nos as datas mais importantes da última vida do Fundador.

R. — Nasceu sob a constelação de Visakha, numa terça-feira, no mês de maio, no ano 2478 do Kali Yuga.

Retirou-se para a selva no ano 2506; tornou-se Buda em 2513; e, saindo do círculo dos renascimentos, entrou em Paranirvana no ano 2558, à idade de oitenta anos.

Cada um desses acontecimentos ocorreu num dia de lua cheia, por isso são celebrados juntos no dia do plenilúnio do mês de Vaisakha ou Wesak, que corresponde ao mês de maio.

¹ Começou no ano 3102 (antes da nossa Era). — N. do T.

a vida de siddhārtha gautama

9. P. — O Buda era Deus?
 R. — Não. O Buddha Dharma não ensina que existisse encarnação “divina”.

10. P. — Foi um homem?
 R. — Sim; mas o mais sábio, o mais nobre e o mais santo.

Tinha-se desenvolvido até aquele ponto no curso de inúmeros nascimentos, colocando-se à frente de todos os demais seres, excetuando os Budas anteriores.

11. P. — Houve outros Budas antes dele?
 R. — Sim, como se explicará mais adiante.

12. P. — Era Buda o seu nome?
 R. — Não. Buda é o nome de uma condição ou estado da mente depois de se ter alcançado o pináculo do seu desenvolvimento.

13. P. — Qual é o seu significado?
 R. — Iluminado, ou aquele que tem a perfeita sabedoria.

A palavra em páli é Sabbannu, o de Conhecimento ilimitado.

Em sânscrito é Sarvajña.

14. P. — Qual era, então, o verdadeiro nome do Buda?
 R. — Siddārtha era o seu nome real, e Gautama, o seu nome de família.

Foi príncipe de Kapilavastu e pertenceu à ilustre família dos Okkāka da Raça Solar.

15. P. — Quem foram seu pai e sua mãe?
 R. — O Rei Suddhodana e a Rainha Māyā, chamada Mahā Māyā.

16. P. — Sobre que povo reinou este Rei?
 R. — Sobre os Sakyas, povo ariano de Kshatriyas.

17. P. — Onde ficava Kapilavastu?
 R. — Na Índia, cerca de cem milhas a nordeste da cidade de Benares, e a cerca de quarenta milhas das montanhas do Himalaia, no Terai do Nepal.

A cidade está hoje em ruínas.

18. P. — Sobre que rio?
 R. — O Rohini, chamado agora de Kohana.

19. P. — Quando nasceu, então, o príncipe Siddārtha?
 R. — Seiscentos e vinte e três anos antes da era cristã.

20. P. — Conhece-se o ponto exato?
 R. — Foi identificado perfeitamente.

Um arqueólogo a serviço do Governo da Índia descobriu na selva do Terai do Nepal um pilar de pedra erguido pelo poderoso soberano budista Asoka, para assinalar o ponto preciso.

Naqueles tempos, o lugar era conhecido pelo nome de Jardim de Lumbini.

21. P. — Possuía o príncipe riquezas e esplendores como outros príncipes?
 R. — Possuía.

Seu pai, o Rei, construiu para ele três magníficos palácios para as três estações indianas; a fria, a quente e a chuvosa, de nove, cinco e três andares, respectivamente, belamente decorados.

22. P.— Como estavam situados? R.— Ao redor de cada palácio havia jardins de flores perfumadas, com repuxos de água, árvores repletas de aves canoras, e pavões reais que passeavam majestosos.

23. P.— Vivia só? R.— Não. Aos dezesseis anos casou-se com a princesa Yasodharā, filha do Rei Suprabuddha.

Muitas belas jovens, hábeis dançarinas e musicistas, estavam também a seu serviço para entretê-lo.

a vida de siddhārtha gautama

24. P.— Como obteve a mão de sua esposa? R.— À antiga usança Kshattriya ou guerreira, vencendo todos os competidores nos jogos e exercícios de destreza e valor, e escolhendo então Yasodhara entre todas as jovens princesas que seus pais haviam levado para presenciar o torneio ou mela.

25. P.— Como, em meio a toda essa magnificência, pôde o Príncipe chegar à perfeita sabedoria? R.— Tinha ele tal sabedoria inata, que quando criança parecia compreender todas as ciências e artes, quase sem estudo.

Teve os melhores mestres, mas não podiam ensinar-lhe nada que ele não parecesse compreender imediatamente.

26. P.— Tornou-se Buda em seus esplêndidos palácios? R.— Não. Ele deixou tudo e foi, sozinho, para a selva.

27. P.— Por que fez isso? R.— Para descobrir a causa de nossos sofrimentos e o meio de nos afastarmos deles.

28. P.— Não o fez por egoísmo? R.— Não. O ilimitado amor a todos os seres foi o que o impeliu a dedicar a vida ao bem deles.

29. P.— Mas, como adquiriu esse conhecimento sem limites? R.— Passando por inumeráveis nascimentos e evos de anos em que havia cultivado esse amor, com a determinação inflexível de tornar-se um Buda.

30. P.— A que renunciou nessa ocasião? R.— A seus magníficos palácios, a suas riquezas, a seus luxos e a seus prazeres; a seu macio leito, a suas belas vestes, a seu requintado alimento, e a seu reino; renunciou até a sua amada esposa e a seu único filho, Rāhula.

primeira parte

31. P.— Houve algum outro homem que tenha sacrificado tanto por nós? R.— Ninguém neste presente período do mundo.

Por isso os budistas o amam e procuram ser como ele. 32. P.— Mas, não houve muitos homens que renunciaram a todas as felicidades terrenas e até à própria vida, em benefício de seu próximo? R.— É verdade.

Mas cremos que seu altruísmo sem par e seu amor pela humanidade se mostraram em sua renúncia à felicidade do Nirvāna há inúmeras eras, quando nasceu sob a forma do Brâmane Sumedha, nos tempos do Buda Dipāukara.

Havia ele então alcançado a etapa em que poderia ter entrado no Nirvāna se não tivesse amado a humanidade mais do que a si mesmo.

Esta renúncia implicava sofrer as misérias das vidas terrestres até chegar a ser Buda, com o objetivo de ensinar a todos os seres o caminho da emancipação e dar paz ao mundo.

33. P. — Que idade tinha quando foi para a selva? R. — Vinte e nove anos.

34. P. — Por que decidiu deixar tudo o que os homens comumente amam e partir para a selva? R. — Um Deva¹ lhe apareceu quando ia em sua carruagem, sob quatro formas impressionantes, em quatro ocasiões diferentes.

35. P. — Que eram essas diferentes formas? R. — As de um velho decrépito, um enfermo, um cadáver e um eremita.

36. P. — Ele as viu sozinho?

¹ Veja a definição de deva, dada nas respostas 378 em diante.

a vida de siddhārtha gautama

R. — Não; seu acompanhante, Channa, também as viu.

37. P. — Por que essas cenas, tão familiares a todos, o impeliram a retirar-se para a selva? R. — Nós vemos com frequência essas coisas; ele não as havia visto, por isso causaram profunda impressão nele.

38. P. — Por que ele também não as havia visto? R. — Os astrólogos brâmanes haviam predito em seu nascimento que um dia ele abdicaria de seu reino e se tornaria Buda.

O Rei, seu pai, não querendo perder o herdeiro de seu reino, havia procurado cuidadosamente afastar de sua vista tudo o que pudesse sugerir-lhe a ideia da miséria humana e da morte.

A ninguém era permitido sequer falar de tais coisas ao príncipe.

Ele era quase como um prisioneiro em seus belos palácios e jardins floridos.

Estes eram cercados por altos muros, e dentro tudo era tão belo quanto se podia imaginar, para que ele não desejasse sair e ver a dor e a angústia do mundo.

39. P. — Era ele tão compassivo que o Rei temesse que pudesse realmente abandonar tudo em benefício do mundo? R. — Sim; parece que sentia por todos os seres uma piedade e uma compaixão imensas.

40. P. — E como esperava aprender na selva a causa da dor? R. — Afastando-se de tudo o que pudesse impedi-lo de pensar profundamente nas causas da dor e na natureza do homem.

41. P. — Como abandonou o palácio? R. — Uma noite, quando todos dormiam, levantou-se, olhou pela última vez para sua esposa adormecida e para seu filho pequeno; chamou Channa, montou em seu cavalo branco favorito, Kanthaka, e foi a cavalo 16 primeira parte

até os portões do recinto.

Os Devas haviam infundido um profundo sono à guarda do Rei que vigiava os portões, de modo que não ouviram o ruído dos cascos do cavalo.

42. P. — Mas os portões não estavam fechados? R. — Sim; mas os Devas fizeram com que se abrissem sem o mais leve ruído, e ele cavalgou na escuridão.

43. P. — Para onde foi? R. — Ao rio Anomá, longe de Kapilavastu.

44. P. — Que fez então? R. — Saltou de seu cavalo, cortou seu belo cabelo, vestiu o traje amarelo de asceta e, entregando seus ornamentos e seu cavalo a Channa, ordenou-lhe que os devolvesse a seu pai, o Rei.

45. P. - O que fez depois? R. - Foi a pé para Rajagraha, capital do Rei Bimbisara, de Magadha.

46. P. - Quem o visitou ali? R. - O Rei com toda a sua Corte¹. 46a. P. - Para onde foi daí? R. - Para Uruvela, perto do atual templo Mahabodhi de Buda Gaya.

47. P. - Por que foi para lá? R. - Na selva havia eremitas, homens muito sábios, dos quais se tornou discípulo, com a esperança de encontrar o conhecimento que buscava.

Vê-se um admirável relato dessa entrevista em O Evangelho do Buda, de Paul Carus, página 20 e seguintes.

A VIDA DE SIDDHĀRTHA GAUTAMA

48. P. - A que religião pertenciam? R. - À religião hindu.

Eram brâmanes¹. 49. P. - O que lhe ensinaram? R. - Que por duras penitências e torturas do corpo, pode o homem adquirir a sabedoria perfeita.

50. P. - O príncipe se convenceu disso? R. - Não. Aprendeu seus sistemas e praticou todas as suas penitências; mas não pôde descobrir assim a causa da dor humana e o caminho da emancipação absoluta.

51. P. - O que fez então? R. - Foi para o bosque próximo a Uruvela, e empregou seis anos em meditação profunda, sofrendo a mais dura disciplina para mortificar o corpo.

52. P. - Estava sozinho? R. - Não. Acompanhavam-no cinco companheiros brâmanes.

53. P. - Quais eram seus nomes? R. - Kondañña, Bhaddya, Vappa, Mahānāma e Assaji.

54. P. - Que plano de disciplina foi o que adotou para abrir sua mente à verdade total? R. - Meditava, concentrando sua mente nos mais elevados problemas da vida, afastando sua vista e ouvido de tudo o que pudesse interromper suas internas reflexões.

55. P. - Jejuava? R. - Sim, jejuou durante todo o período.

Cada vez tomava me-

A palavra hindu, que foi um termo depreciativo empregado pelos muçulmanos para designar o povo de Sindh, que dominavam, usa-se agora em sentido eclesiástico.

PRIMEIRA PARTE

nos e menos alimento e água, e até se diz que apenas comia algum grão de arroz ou gergelim a cada dia.

56. P. - Isso lhe deu a sabedoria que ansiava? R. - Não. Emagreceu seu corpo e se debilitou sua força; até que um dia, enquanto passeava lentamente meditando, abandonou-o sua força vital e caiu sem conhecimento.

57. P. - O que creram seus companheiros? R. - Por um momento o creram morto, mas ao fim voltou a si. 58. P. - O que ocorreu logo? R. - Viu claramente que não se pode alcançar nunca o conhecimento por meros jejuns de sofrimentos corporais, mas que deve ser obtido abrindo a mente.

Acabava de escapar do perigo da extenuação, sem ter obtido a Sabedoria Perfeita.

Assim, pois, decidiu alimentar-se com o objetivo de viver ao menos o suficiente para chegar a ser sábio.

59. P. - Quem lhe deu alimento? R. - A filha de um nobre, chamada Sujatā, que o viu sentado ao pé de uma figueira-de-bengala.

Levantou-se, tomou seu cesto de esmolas, banhou-se no rio Nerañjarā, comeu o alimento e internou-se no bosque.

60. P. - O que fez ali? R. - Tendo tomado sua determinação depois de refletir, foi à tarde para a árvore Bodhi ou Asvattha, onde se encontra agora o Templo Mahābōdhi.

61. P. - E ali o que fez? R. - Tomou a determinação de não abandonar aquele lugar até ter alcançado a sabedoria perfeita.

a vida de siddhārtha gautama

62. P. - De que lado da árvore se sentou? R. - De frente para o Oriente¹. 63. P. - O que conseguiu naquela noite? R. - O conhecimento de seus nascimentos anteriores, das causas dos renascimentos, e do modo de extinguir os desejos.

Antes que o novo dia amanhecesse, sua mente estava completamente aberta, como a flor do lótus plenamente desenvolvida; a luz do supremo conhecimento, ou as Quatro Verdades, infiltrava-se nele. Ele se havia tornado Buda (o iluminado, o que tudo sabe), o Sarvajña.

64. P. - Descobriu ao final a causa da dor humana? R. - Sim. Assim como a luz da aurora dissipa a escuridão da noite e revela à vista as árvores, os campos, os mares, os rios, os animais, os homens e todas as coisas, assim a plena luz do conhecimento brotou em sua mente e ele viu no instante as causas do sofrimento humano e o modo de se afastar delas.

65. P. - Sustentou grandes lutas, antes de alcançar esta sabedoria perfeita? R. - Sim, terríveis e poderosas lutas.

Teve que dominar em seu corpo todos esses defeitos naturais e humanos apetites e desejos, que nos impedem de ver a verdade.

Teve que vencer todas as más influências do mundo pecaminoso que o rodeava.

Como soldado peleando na batalha contra muitos inimigos, assim lutou ele. Alcançou seu objetivo como um herói vitorioso, e o segredo da dor humana lhe foi descoberto.

Não se expõe razão alguma nos livros canônicos para esta escolha, se bem que se encontra uma explicação nas lendas populares em que se basearam os livros do bispo Bigandet e outros.

Existem sempre influências procedentes dos diferentes pontos cardeais.

Umas vezes é benéfica a influência de um quadrante, outras de outro.

Mas o Buda pensava que o homem perfeito é superior a todas as influências estranhas.

primeira parte

66. P. - Que uso fez do conhecimento assim alcançado? R. - No princípio sentia aversão a ensiná-lo ao povo em conjunto.

67. P. - Por quê? R. - Por causa de sua profunda importância e seu caráter sublime. Temia que fossem poucos os que o entendessem.

68. P. - O que o fez mudar de opinião? R. - Compreendeu que era seu dever ensinar o que havia aprendido, do modo mais claro e simples possível, e confiar em que a verdade se imprimiria sobre a mente popular em proporção ao Karma individual de cada um.

Era a única via de salvação, e todos os seres tinham igual direito a que lhes fosse indicada.

Determinou-se, pois, a começar por seus cinco últimos companheiros, que o haviam abandonado quando ele rompeu seu jejum.

69. P.— Onde os encontrou? R.— No parque dos cervos em Ysipatana, perto de Benares.

70. P.— Pode-se fixar hoje o ponto? R.— Sim; uma stūpa ou dagoba parcialmente arruinada encontra-se ainda naquele mesmo ponto.

71. P.— Aqueles cinco companheiros o escutaram facilmente? R.— No início, não. Mas tão grande era a beleza espiritual de sua presença, tão doces e convincentes seus ensinamentos, que logo mudaram de atitude e lhe prestaram suma atenção.

72. P.— Que efeito lhes produziu este discurso?

A tradição antiga diz que o próprio Deus Brahmā lhe implorou que não retivesse a gloriosa verdade.

a vida de siddhārtha gautama

R.— O ancião Kondañña, que "entendia" (Anna), foi o primeiro a perder seus preconceitos, aceitar a doutrina do Buda, tornar-se seu discípulo e entrar no caminho que conduz ao discipulado.

Os outros quatro logo seguiram seu exemplo.

73. P.— Quem foram seus próximos convertidos? R.— Um homem leigo opulento, chamado Yasa, e seu pai, rico comerciante.

Ao cabo de três meses, os discípulos ascendiam a sessenta pessoas.

74. P.— Quem foram as primeiras mulheres leigas a se tornarem suas discípulas? R.— A mãe e a esposa de Yasa.

75. P.— Que fez o Buda então? R.— Reuniu seus discípulos, deu-lhes instruções detalhadas e os enviou em todas as direções para pregar sua doutrina 1. 76. P.— Qual era a essência dela? R.— Que a via da emancipação está em seguir a vida santa e as regras que se expõem mais adiante.

77. P.— Diga-me o nome que deu a este gênero de vida.

R.— O Nobre Óctuplo Sendero.

78. P.— Como se chama em língua pali? R.— Ariyo atthangiko maggo.

79. P.— Para onde se dirigiu o Buda então? R.— Para Uruvela.

Não sendo o bramanismo acessível aos que não são indianos, o Budismo é, portanto, a mais antiga religião missionária do mundo.

Os primeiros missionários sofreram toda espécie de privações, crueldades e perseguições, com inflexível coragem.

primeira parte

80. P.— Que ocorreu ali? R.— Converteu um homem chamado Kashyapa, renomado por sua ciência e mestre dos Jatilas, grande seita de adoradores do fogo, todos os quais se tornaram também seus discípulos.

81. P.— Quem foi seu próximo grande convertido? R.— O Rei Bimbisāra, de Magadha.

82. P.— Quais dos mais instruídos e amados discípulos do Buda se converteram por então? R.— Sāriputra e Moggallāna, anteriormente discípulos de Sañjaya, o asceta.

83. P.— Por que adquiriram renome? R.— Sāriputra por seu profundo conhecimento (prajña), e Moggallāna por seus excepcionais poderes espirituais (Iddhi). 84. P.— São milagrosos esses poderes que operam maravilhas? R.— Não, mas naturais a todos os homens e capazes de serem desenvolvidos por certos métodos de disciplina.

85. P. - Teve o Buda notícias de sua família depois de deixá-la? R. - Sim. Sete anos depois, quando vivia em Rājagrha, seu pai, o Rei Suddhodana, enviou-lhe uma mensagem para rogar-lhe que lhe permitisse contemplá-lo de novo antes de morrer e que fosse até lá.

86. P. - Foi vê-lo? R. - Sim. Seu pai o recebeu com todos os seus parentes e ministros, e o acolheu com grande alegria.

87. P. - Consentiu em voltar a ocupar seu antigo posto? a vida de siddhārtha gautama

R. - Não. Com toda a doçura explicou a seu pai que o príncipe Siddārtha não existia como tal, e que agora havia passado à condição de Buda, para quem todos os seres eram igualmente próximos e queridos.

Em lugar de reinar sobre um povo, como rei terrestre, conquistaria os corações de todos os homens para que o seguissem.

88. P. - Viu Yasodhara e a seu filho Rahula? R. - Sim. Sua esposa, que havia lamentado sua partida com o mais profundo carinho, chorou amargamente.

Também enviou Rāhula para pedir que lhe desse sua herança, como filho de príncipe. 89. P. - Que ocorreu então? R. - A eles e a todos pregou o Dharma como cura para toda dor.

Seu pai, seu filho, sua esposa, seu irmão por parte de pai Ānanda, seu primo e cunhado Devadatta, todos se converteram e foram seus discípulos.

Outros dois muito famosos foram Anuruddha, que foi depois um grande metafísico, e Upāli, um barbeiro, que foi depois a maior autoridade sobre Vinaya.

Ambos alcançaram grande renome.

90. P. - Quem foi a primeira Bikkhuni? R. - Prajāpati, a tia e nodriza do príncipe Siddhārtha.

Com ela, Yasodharā e muitas outras mulheres foram admitidas na Ordem, como bikkhunis ou devotas.

91. P. - Que efeito produziu sobre o rei Suddhodana o fato de adotarem a vida religiosa seus filhos Siddhārta e Ānanda, seu sobrinho Devadatta, a esposa de seu filho, Yasodhara, e seu neto Rahula? R. - Ele sentiu muito e queixou-se ao Buda, que então fez com que fosse uma regra da Ordem que ninguém pudesse ser ordenado 24 primeira parte

no futuro sem o consentimento de seus pais, quando estes vivessem.

92. P. - Qual foi o destino de Devadatta? R. - Era um homem de grande inteligência, e progrediu rapidamente no conhecimento do Dharma; mas como era também muito ambicioso, invejava e odiava o Buda, e por fim conspirou para matá-lo.

Também exerceu influência sobre Ajātashatru, filho do Rei Bimbisāra, para que matasse seu nobre pai e se tornasse seu discípulo.

93. P. - Fez algum mal ao Buda? R. - Nem o mais mínimo; mas o crime que maquinava contra ele recaiu sobre seu autor, e morreu de forma terrível.

94. P. - Durante quantos anos esteve o Buda dedicado ao ensino? R. - Durante quarenta e cinco anos, nos quais pronunciou muitos discursos.

Era seu costume e o de seus discípulos viajar e pregar durante os oito meses secos.

Durante a estação de Wās (as chuvas), tanto ele quanto aqueles se detinham nos pansula-s e vihāra-s que haviam sido construídos para eles por vários reis e outros ricos convertidos.

95. P. – Quais eram os mais famosos desses edifícios? R. – Jetāvanārāma, Veluvanārāma, Pubbārāma, Nigrodhārāma e Ysipatanārāma. 96. P. – Que classe de pessoas foi convertida por ele e por seus discípulos? R. – Pessoas de todas as classes sociais, nações e castas; rajás e coolies, ricos e pobres, poderosos e humildes, iletrados e eruditos.

Sua doutrina se adaptava a todos.

A vida de Siddhārtha Gautama

97. P. – Podeis me dar algum dado sobre o falecimento do Buda? R. – No ano quarenta e cinco depois de ser Buda, no dia do plenilúnio de Maio, conhecendo que seu fim se aproximava, foi à noite a Kusināgāra, lugar a cento e vinte milhas de Benarés.

No bosque de salas dos Mallas, o Uparvartana de Kusināgāra, entre duas árvores sala, estendeu seu leito, com a cabeça voltada para o Norte, segundo o antigo costume.

Deitou-se sobre ele e, com sua mente perfeitamente clara, deu instruções finais a seus discípulos e despediu-se deles.

98. P. – Fez novas conversões naqueles últimos tempos? R. – Sim; uma muito importante, a de um pandit brâmane chamado Subhadra.

Também pregou aos príncipes Mallya e a seus partidários.

99. P. – O que ocorreu ao amanhecer? R. – Passou à condição interna de Samādhi e daí ao Nirvāna. 100. P. – Quais foram as últimas palavras a seus discípulos? R. – “Bikkhus”, disse-lhes, “quero que fique impresso em vossas mentes, que as partes e poderes do homem têm que se dissolver.

Realizai vossa salvação com diligência”. 101. P. – Que prova convincente temos de que Buda, anteriormente Siddhartha, tenha sido um personagem histórico? R. – Sua existência aparece tão claramente provada, como a de qualquer outra nobre figura da antiga história.

102. P. – Indique algumas das provas.

R. – 1° O testemunho dos que pessoalmente o conheceram.

2° A descoberta de lugares e restos de construções mencionadas nos relatos de sua época.

primeira parte

3° As inscrições sobre rochas, pilares e dagoba-s feitas em sua memória por soberanos que viveram bastante próximos de sua época para poder comprovar o relato de sua vida.

4° A existência ininterrupta da Sangha (ordem) que ele fundou, e a posse por esta dos fatos de sua vida, transmitidos de geração em geração, desde o princípio.

5° O fato de que, no mesmo ano de sua morte e em várias épocas posteriores, se reuniram convenções e Concílios da Sangha para verificar os ensinamentos exatos do Fundador e a transmissão daqueles ensinamentos comprovados de mestre a discípulo, até hoje.

6° Depois da cremação de seu cadáver, suas relíquias foram divididas entre oito reis e se erigiu uma stūpa sobre cada porção.

A porção dada ao rei Ajātashatru e coberta por ele com uma stūpa em Rājagrha caiu em poder, menos de dois séculos depois, do imperador Asoka, e foi distribuída por ele por todo o seu Império.

Asoka teve indubitavelmente meios de saber se as relíquias eram ou não as do Buda, uma vez que estiveram a cargo da casa real de Patna desde o princípio.

7° Muitos dos discípulos do Buda eram Arhat-s e tinham, portanto, domínio sobre seus poderes vitais, pelo que devem ter vivido muitos anos, não havendo nada que impeça que dois ou três deles, em sucessão, tenham coberto todo o período entre a morte do Buda e o reinado de Asoka, que pôde assim ter à mão, entre seus contemporâneos, todos os testemunhos desejáveis referentes ao fato da vida do Buda.

8º: O “Mahāvansa”, a melhor história antiga conhecida, registra os acontecimentos da história do Ceilão até o reinado do Rei Vijaya, 543 anos antes de J.C. (quase a época do Buda), e dá muitos dados de sua vida, assim como da do imperador Asoka.

No segundo Concílio havia dois discípulos de Ānanda, por conseguinte, centenários; e no Concílio de Asoka houve discípulos daqueles discípulos.

a vida de siddhārtha gautama

e de todos os outros soberanos relacionados com a história budista.

103. P. – Quais são os nomes respeitosos que se aplicam ao Buda? R. – Sākyamuni (o Sábio Sākya); Sakya-Simha (o leão Sākya); Sugata (o bem-aventurado); Satthta (o Instrutor); Jina (o Vencedor); Bhagavat (o Bendito); Lokanatha (o Senhor do Mundo); Sarvajña (o Onisciente); Dharmarāja (o Rei da Verdade); Tathagata (o Grande Ser), etc.

SEGUNDA PARTE

O DHARMA OU DOUTRINA

104. P. – Qual é o significado da palavra Buda? R. – O iluminado, ou aquele que possui a sabedoria perfeita.

105. P. – Haveis dito que houve outros Budas anteriores? R. – Sim. Cremos que sob as operações da eterna causação, nasce um Buda a longos intervalos, quando a humanidade se tem mergulhado na dor por causa da ignorância, e necessita da sabedoria que é função do Buda ensinar (ver também a pergunta II). 106. P. – Como chega a florescer um Buda? R. – Uma pessoa que tenha visto e ouvido na terra algum Buda, e que chegue à determinação de viver de tal modo que num futuro possa estar em condições para isso, chegará a ser Buda, para guiar a humanidade de modo que esta saiba como sair do ciclo do renascimento.

P. – Como procede? R. – Durante esse nascimento e cada um dos sucessivos, esforça-se em subjugar suas paixões, em obter sabedoria por meio da experiência e em desenvolver suas faculdades superiores.

Assim se desenvolve gradualmente e se torna mais sábio, mais nobre seu caráter, e mais forte na virtude, até que, finalmente, após incontáveis renascimentos, alcança o estado em que pode chegar a ser perfeito, iluminado, sábio, mestre ideal da espécie humana.

o dharma ou doutrina

108. P.— Como se chama durante esse desenvolvimento gradual através de todos esses nascimentos? 
R.— Um Bōdhisat, ou Bōdhisattwa.

Assim, o príncipe Siddārtha Gautama era um Bōdhisattwa até o momento em que, sob a bendita árvore Bōdhi em Gayā, se tornou Buda.

109. P.— Temos algum relato de seus diversos renascimentos como Bōdhisattwa? 
R.— No Jātakatthakathā, livro que contém tradições das encarnações do Bōdhisattwa, há várias centenas de relatos dessa classe.

110. P.— Que lição ensinam esses relatos? 
R.— Que um homem pode conservar, através de uma longa série de encarnações, um objetivo grande e nobre, que o capacita a dominar as más tendências e a desenvolver as virtuosas.

111. P.— Podemos fixar o número de reencarnações pelas quais um Bōdhisattwa deve passar antes de poder tornar-se Buda? 
R.— Certamente que não. Isso depende de seu caráter natural, do estado de desenvolvimento a que chegou quando toma a resolução de tornar-se Buda, e de outras coisas.

112. P.— Há algum método de classificar os Bōdhisattwas? Se existe, sirva-se explicá-lo.

R.— Os Bōdhisattwas, os Budas futuros, dividem-se em três classes.

113. P.— Continue.

Quais são essas classes? 
R.— Pannādhika, ou Udghatitajña, "o que chega mais devagar"; Saddhādhika, ou Vipachitajña, "o que chega com menos pressa"; e Vīryādhika, ou Gneyya, "o que chega rapidamente". Os Bōdhisats Pannādhika seguem o caminho da Inteligência; os Saddhādhikas seguem a via da Fé; os Viryādhikas seguem o rumo da Ação enérgica.

Os primeiros vão guiados pela Inteligência, e não se apressam; os segundos, cheios de Fé, descuidam a direção da Sabedoria; e os terceiros, nunca deixam de fazer o que está bem.

Estes últimos, sem considerar as consequências que isso possa lhes ocasionar, fazem aquilo que é o melhor que deve ser feito.

114. P.— Quando nosso Bodhisattwa se tornou Buda, o que considerou como a causa do sofrimento humano? 
R.— A Ignorância (Avidyā).

115. P.— Qual é o remédio? 
R.— Dissipar a ignorância, e tornar-se sábio (Prājña).

116. P.— Por que a ignorância produz sofrimento? 
R.— Porque nos faz apreciar o que não é digno de apreço, queixar-nos do que não deveríamos lamentar, considerar real o que é ilusório, e passar nossas vidas perseguindo objetos sem valor e descuidando o que na realidade é mais valioso.

117. P.— E o que é o mais valioso? 
R.— Saber todo o segredo da existência do homem e de seu destino, para que não estimemos mais do que valem esta vida e suas relações; de modo que possamos viver de tal maneira que consigamos a maior felicidade e o menor sofrimento para nosso próximo e para nós mesmos.

118. P. — Qual é a luz que pode dissipar esta nossa ignorância e afastar todo sofrimento? R. — O conhecimento das “Quatro Nobres Verdades”, como o Buda as chamou.

o dharma ou doutrina

119. P. — Diga-me quais são essas Quatro Nobres Verdades.

R. — 1° As dores da existência evolucionária dimanam dos nascimentos e das mortes, vida após vida.

2° A causa produtora da dor é o desejo egoísta, sempre renovado, de satisfazer a si mesmo, sem nunca poder consegui-lo.

3° A destruição desse desejo consiste em afastar-se dele. 4° Existem meios para isso.

120. P. — Diga-me algumas das coisas que causam sofrimento.

R. — O nascimento, a debilidade, a doença, a morte, a separação do que se quer, a companhia dos que nos desagradam, o desejo ardente do que não se pode obter.

121. P. — Diferem estas em cada indivíduo? R. — Sim. Mas todos os homens sofrem delas de algum modo.

122. P. — Como podemos evitar os sofrimentos que resultam dos desejos não satisfeitos e das ansiedades ignorantes? R. — Por um completo domínio e destruição dessa ardente sede da vida e de seus prazeres, que produzem a dor.

123. P. — Como podemos obter esse domínio? R. — Seguindo o Nobre Óctuplo Sendero que o Buda descobriu e assinalou.

124. P. — O que é este Nobre Óctuplo Sendero? R. — Uma norma de vida, que tem oito partes.

As oito partes deste sendero são: 1. Reta crença (na lei de Ação e Reação ou Karma); 2. Reto pensamento; 3. Reta palavra; 4. Reta ação; 5. Retos meios de vida; 6. Reto esforço; 7. Reta lembrança e domínio de si; 8. Reta concentração da mente.

Estas partes do sendero chamam-se angas.

Aquele que tem estas angas em sua mente e as segue, libertar-se-á da dor e alcançará ao final a salvação.

125. P. — Pode dar-me uma palavra melhor que “salvação”? R. — Sim; emancipação.

126. P. — Emancipação de quê? R. — Emancipação dos sofrimentos da existência terrena e dos renascimentos, tudo o qual é devido à ignorância, cobiças e desejos insaciáveis impuros.

127. P. — E quando se consegue esta salvação ou emancipação, o que alcançamos? R. — O Nirvāna. 128. P. — O que é o Nirvāna? R. — Uma condição de cessação total de mudanças, de perfeito repouso, de ausência de desejo e ilusão e dor, de total obliteração de tudo o que contribui para criar o homem físico.

Antes de alcançar o Nirvāna, o homem renasce constantemente; quando alcança o Nirvāna, não volta a nascer jamais.

129. P. — Onde se pode ver uma discussão erudita da palavra Nirvāna e uma lista dos outros nomes com os quais os antigos escritores pális tentam defini-la?
R. — No famoso Dictionary of the Pali Language (Dicionário do Idioma Pali), de R. C. Childers, há uma lista completa.

130. P. — Mas alguns imaginam que o Nirvāna é uma espécie de lugar celeste, um Paraíso. Ensina isso o Budismo?
R. — Não. Quando Kutadanta perguntou ao Buda: “Onde está o Nirvāna?”, ele replicou que estava “ali onde se seguem os preceitos”.

O Sr. Childers adota um ponto de vista sumamente pessimista do estado nirvânico, considerando-o como aniquilação. Os que estudaram o assunto posteriormente opinam de outro modo.

o dharma ou doutrina

131. P. — O que é que produz o renascimento?
R. — O desejo não satisfeito (em sânscrito trshna, em páli tanhā) das coisas que pertencem ao estado da existência pessoal, no mundo material. Essa sede não extinta de existência física (bhāva) é uma força, e tem em si um poder criador tão forte que faz voltar o Ser à vida mundana.

132. P. — Ficam afetados os nossos renascimentos pela natureza dos nossos desejos não satisfeitos?
R. — Sim; e pelos nossos méritos e deméritos individuais.

133. P. — Dominam os nossos méritos ou deméritos no estado, condição ou forma em que renasceremos?
R. — Assim é. A regra geral é que, se temos um mérito excessivo, nasceremos em boas condições e seremos felizes na próxima vez; e, se um excesso de demérito, o nosso próximo nascimento será desgraçado e cheio de sofrimentos.

134. P. — É, pois, uma das bases fundamentais do Budismo a ideia de que todo efeito é o resultado de uma causa real?
R. — Assim é. De uma causa, seja ela imediata ou remota.

135. P. — Como chamamos a essa causação?
R. — Aplicada a indivíduos, é Karma, isto é, a ação. Significa que os nossos atos nos proporcionam qualquer satisfação ou dor que experimentemos.

136. P. — Pode o mau escapar da obra do seu Karma?
R. — Diz o Dhammapada: “Não existe um ponto sobre a terra, ou no céu, ou no mar, nem o há nas fendas das montanhas, em que uma (má) ação deixe de produzir aflição (a quem a fez)”.

137. P. — Pode escapar o bom?
R. — Como resultado dos seus atos de peculiar mérito, o homem pode alcançar certas vantagens de lugar, corpo, meio e instrução na sua próxima etapa de progresso, que equilibrarão o seu mau Karma e favorecerão a sua superior evolução.

138. P. — Como se chamam essas vantagens?
R. — Gati Sampatti, Upādhi Sampatti, Kāla Sampatti e Payoga Sampatti.

139. P. — Está tudo isso em acordo ou em desacordo com o senso comum, assim como com os princípios da ciência moderna?
R. — Está em perfeito acordo; não pode haver dúvida nisso.

140. P.— Podem todos os homens chegar a Budas? R.— Não está na natureza de todos os homens tornarem-se Budas, porque apenas um Buda se desenvolve a longos intervalos de tempo e, ao que parece, quando o estado da humanidade requer absolutamente que tal instrutor apareça para mostrar-lhe o esquecido sendero que conduz ao Nirvāna. Mas todo ser pode igualmente alcançar o Nirvāna, dominando a Ignorância e alcançando a Sabedoria.

141. P.— Ensina o Budismo que o homem renasce somente sobre a nossa terra? R.— Como regra geral, esse deve ser o caso, até que evolua além do seu nível; mas os mundos habitados são inumeráveis.

O mundo no qual uma pessoa há de renascer, assim como a natureza do renascimento, decide-se pela preponderância do mérito ou demérito individual.

Em outras palavras, o indivíduo será dominado por suas atrações, como diria a ciência; ou por seu Karma, como diríamos nós, budistas.

142. P.— Há mundos mais e menos desenvolvidos que a nossa terra? R.— O Budismo ensina que há completos Sakwalas ou sistemas de mundos, de várias classes, superiores e inferiores; e também que os habitantes de cada mundo correspondem a ele em desenvolvimento.

143. P.— Não resumiu o Buda toda a sua doutrina em um gatha ou versículo? R.— Sim. 144. P.— Repita-o, por favor.

R.— Sabba pāpassa akaranm Kusalassa upasampada Sachitta pariyo dapanam Etam Buddhanusasanam.

“Cessar de mal obrar, Sempre semear o bem, Purificar a mente: Os Budas o aconselham constantemente”. 145. P.— Têm as três primeiras dessas linhas alguma característica notável? R.— Sim. A primeira linha abrange todo o espírito do Vinaya Pitaka, a segunda o do Sutta, a terceira o do Abhidhamma.

Compreendem elas apenas oito palavras em pali e, no entanto, assim como a gota de orvalho reflete as estrelas, assim elas cintilam com o espírito de todo o Dharma de Buda.

segunda parte

146. P.— Segundo esses preceitos, o Budismo é uma religião ativa ou passiva? R.— “Cessar de mal obrar” pode chamar-se um preceito passivo; mas “sempre semear o bem” e “purificar a mente” ou o coração são qualidades completamente ativas.

Buda ensinou que não é suficiente não sermos maus, mas que devemos ser positivamente bons.

147. P.— Quem ou o que são os “Três Guias” que se supõe que o budista segue? R.— Revelam-se na fórmula chamada os Tisarana: “Sigo o Buda como meu Guia; sigo a Lei como meu Guia; sigo a Ordem como meu Guia”. Esses Três Guias são, de fato, o Dharma do Buda.

148. P.— O que quer dizer o budista quando repete essa fórmula?

Saranam.

Wijesinha Mudaliar escreve: “Esta palavra foi até aqui traduzida de modo muito impróprio e errôneo como Refúgios, por estudantes europeus de pali, e foi aceita irrefletidamente pelos estudantes palis indígenas”. Nem a etimologia pali nem a filosofia budista justificam a tradução.

Refúgios, no sentido de lugar retirado ou local de abrigo, é algo estranho ao verdadeiro budismo, que insiste em que cada homem deve forjar sua própria “emancipação”. A raiz *Sr* em sânscrito (*sara* em pali) significa “mover-se, ir”; de modo que *saranam* denotaria movimentos, “ir adiante ou com outros”, ou seja, os Guias ou Auxiliares.

Eu traduzo, por exemplo, a primeira frase assim: *Gachchami*, Vou, *Buddham*, a Buda, *Saranam*, como meu Guia.

A tradução da palavra *Tisarana* pelos “Três Refúgios” tem conduzido a muitos erros e foi aproveitada pelos adversários do Budismo como fértil pretexto para atribuir aos budistas o absurdo de se refugiarem em coisas irreais. O termo refúgio é mais aplicável ao Nirvāna, do qual *Saranam* é um sinônimo.

O Sumo Sacerdote Sumangala também me chama a atenção para o fato de que a raiz pali *Sara* tem o significado secundário de destruir.

*Buddham saranam gachchhami* pode, pois, traduzir-se: “Vou a Buda, à Lei, à Ordem, como destruidores de meus temores – o primeiro por sua pregação, a segunda por sua verdade axiomática, a terceira por seus vários exemplos e preceitos”.

O dharma ou doutrina

R. – Quer dizer que ele considera o Buda como seu instrutor, amigo e exemplo de sabedoria; que a Lei ou Doutrina contém os princípios essenciais e imutáveis da Justiça e da Verdade, e é o sendero que conduz à realização da perfeita paz da mente sobre a terra; e que a Ordem é formada por mestres e exemplos dessa excelente Lei ensinada pelo Buda.

149. P. – Mas não são alguns dos membros dessa “Ordem” homens inferiores intelectual e moralmente?
R. – Sim. Mas o Buda nos ensina que somente aqueles que com diligência seguem os preceitos, disciplinam suas mentes e se esforçam por alcançar, ou alcançam, uma das oito etapas de santidade e perfeição, constituem sua “Ordem”. Afirmou-se expressamente que a Ordem a que se referem os *Tisarana* se relaciona com os *Attha Ariya Puggala*, os Nobres que alcançaram um dos oito estados de perfeição.

O mero uso de vestes amarelas, ou a própria ordenação, não torna o homem puro ou sábio, nem lhe confere títulos para ser reverenciado.

150. P.— ¿Ou seja, que o verdadeiro budista não tomaria como guias esses indignos bikkhus? R.— Certamente não. 151. P.— Quais são as cinco observâncias, ou preceitos universais, chamados Pañcha Síla, que se impõem aos leigos em geral? R.— Estão incluídas na seguinte fórmula, que os budistas repetem publicamente nos vihāra-s (templos): Observo o preceito de me abster de destruir a vida dos seres; observo o preceito de me abster de roubar; observo o preceito de me abster de relações sexuais ilícitas¹; observo o preceito de me abster da mentira; observo o preceito de me abster de usar substâncias embriagadoras.

152. P.— O que chama a atenção das pessoas inteligentes ao ler esses silas? R.— Que aquele que os observa estritamente tem de se libertar de toda causa de dor humana. Se estudarmos a história, veremos que aquela surgiu de uma ou de outra dessas causas.

153. P.— Em quais silas se mostra mais claramente a sabedoria compreensiva do Buda? R.— No primeiro, terceiro e quinto; porque tirar a vida, a sensualidade e o uso de substâncias embriagadoras causam pelo menos noventa e cinco por cento dos sofrimentos humanos.

154. P.— Que benefícios derivam da observância desses preceitos? R.— Diz-se que se adquire mais ou menos mérito segundo o modo e o momento de observar os preceitos e o número dos observados. Isto é, se se observa apenas um preceito, violando os outros quatro, adquire-se o mérito da observância desse preceito tão somente, e quanto mais tempo se guarda o preceito, tanto maior será o mérito. Aquele que conserva inviolados todos os preceitos criará causas para ter uma vida superior e mais ditosa em existência posterior.

155. P.— Quais são as outras observâncias que se considera meritório os leigos se comprometerem a guardar?

¹ Isto se refere unicamente, desde logo, aos leigos que só professam os cinco preceitos. Um bikkhu tem de guardar o celibato estrito. Do mesmo modo, o leigo que faz voto de observar oito dos dez preceitos durante certos períodos, neles tem de ser celibatário. Estes cinco preceitos, o Buda os estatuiu para todo o mundo. Ainda sem ser budista, os cinco e oito preceitos são de proveito ao que os observa. O seguir “os três Guias” é o que constitui a qualidade de budista.

o dharma ou doutrina

R.— O Atthanga Sila, ou Óctuplo Preceito, que abrange os cinco acima enumerados (omitindo a palavra “ilícitas” no terceiro), com três adicionais, a saber: Observo o preceito de me abster de comer a destempo; observo o preceito de me abster de dançar, cantar e fazer demonstrações inconvenientes, e de usar colares, aromas, perfumes, cosméticos, ungimentos e adornos; observo o preceito de me abster de usar camas macias e grandes.

Os leitos e assentos a que aqui se alude são os que são empregados pelas pessoas mundanas para seu descanso e gozos sensuais. O celibatário deve evitá-los.

156. P. - Como descreveria um budista o verdadeiro mérito? R. - Não há grande mérito em um ato meramente externo; tudo depende do motivo interno que provoca a ação.

157. P. - Dê um exemplo, por favor. R. - Uma pessoa rica pode gastar lakhs de rúpias em construir dagobas ou vihāras, em erigir estátuas de Buda, em festejos e procissões, em alimentar os sacerdotes, em dar esmolas aos pobres, ou em plantar árvores, abrir cisternas ou construir pousadas ao lado dos caminhos para os viajantes, e, no entanto, ter relativamente pouco mérito se o faz por ostentação, ou para que os outros a elogiem, ou por algum outro motivo egoísta. Mas aquele que faz a mais mínima dessas coisas com um motivo de bondade, tal como por amor ao próximo, alcança grande mérito. Uma boa ação feita com um mau motivo beneficia os outros, mas não aquele que a executa. Aquele que aprova uma boa ação quando outro a faz, compartilha seu mérito se sua simpatia é real, não fingida. A mesma regra se aplica em sentido inverso.

158. P. - Mas, qual é a maior de todas as ações meritórias? R. - O Dhammapada declara que o mérito de difundir o Dharma, a Lei da Retidão, é maior do que qualquer outra boa obra.

159. P. - Que livros contêm o excelente da sabedoria das doutrinas do Buda? R. - As três coleções de livros chamadas Tripitakas ou os Três Cestos.

160. P. - Quais são os nomes desses três pitakas ou grupos de livros? R. - O Vinaya Pitaka, o Sutta Pitaka e o Abhidhamma Pitaka.

161. P. - O que contêm respectivamente? R. - O primeiro contém tudo o que pertence à moralidade e às regras de disciplina para governo da Sangha, Igreja ou Ordem; o segundo encerra discursos instrutivos sobre ética aplicável a todos; o terceiro explica os ensinamentos psicológicos do Buda, incluindo as vinte e quatro leis transcendentais que explicam os processos da Natureza.

162. P. - Os budistas acreditam que esses livros sejam inspirados ou revelados por um ser divino? R. - Não; mas os veneram como depósito da mais sublime Lei, por cujo conhecimento pode o homem abrir caminho através das redes de Samsāra.

163. P. - Quantas palavras há em todo o texto dos três pitakas? R. - O Dr. Rhys David as calcula em 1.752.800.

164. P. - Quando foram escritos pela primeira vez os pitakas? R. - Nos anos 88 a 76 antes de Cristo, sob o Rei do Ceilão, Wattgamini, ou seja, 456 anos após o Paranirvāna do Buda.

165. P. - Temos razão para crer que se conhecem todos os discursos do Buda? R. - Provavelmente não, e seria estranho que assim fosse. Nos quarenta e cinco anos de sua vida pública deve ter pregado muitos centenas de discursos.

Desses, em tempos de guerra e perseguição, muitos se terão perdido, as enseñanzas ter-se-ão disseminado por países remotos, e muitos terão ficado mutilados.

A história nos diz que os inimigos do Buddha Dharma queimaram pilhas de nossos livros da altura de um coqueiro.

166. P. — Consideram os budistas Buda como aquele que, por sua própria virtude, pode salvar-nos das consequências de nossos pecados? R. — De modo algum.

O homem deve emancipar-se por si mesmo.

Até que faça isso, continuará nascendo uma e outra vez, vítima da ignorância, escravo de indômitas paixões.

167. P. — O que foi, pois, Buda para nós e para todos os demais seres? R. — Um conselheiro onividente e sábio perfeito.

Aquele que descobriu e indicou o caminho seguro; o que mostrou a causa e a única cura do sofrimento humano.

Ao assinalar o caminho, ao mostrar-nos o meio de evitar os perigos, tornou-se nosso Guia.

Ele é para nós como o lazarillo que conduz o cego sobre uma ponte estreita, para cruzar uma corrente impetuosa e profunda, salvando-lhe assim a vida.

168. P. — Se quiséssemos tratar de representar todo o espírito da doutrina do Buda com uma palavra, qual seria essa palavra? R. — A Justiça.

169. P. — Por quê? R. — Porque ensina que todo homem alcança, sob as operações do infalível Karma, exatamente a recompensa ou castigo que mereceu, nem mais nem menos.

Não há ação boa ou má, por trivial ou secretamente cometida que seja, que escape aos pratos sempre equilibrados da balança do Karma.

170. P. — O que é Karma? R. — Uma causação que opera no plano moral, assim como no físico ou em outros.

Os budistas dizem que não há milagres nas questões humanas; o que o homem semeia, isso é o que deve colher e o que colherá.

171. P. — Que outras palavras se têm empregado para expressar a essência do Budismo? R. — Autoeducação e amor universal.

172. P. — Que doutrina é a que enobrece o Budismo e lhe dá seu posto preeminente entre as religiões do mundo? R. — A de Mitta ou Maitreya, a bondade compassiva.

A importância dessa doutrina se acentua mais ao dar-se o nome de Maitri (o compassivo) ao vindouro Buda.

173. P. — Todos esses pontos da Doutrina que o senhor explicou foram meditados por Buda ao lado da árvore Bodhi? R. — Sim, esses e muitos mais que podem ser vistos nas escrituras budistas.

O sistema completo do Budismo veio à sua mente durante a Grande Iluminação.

174. P. — Quanto tempo permaneceu Buda ao lado da árvore Bodhi?

Define-se Karma como a soma total das ações do homem.

A lei de Causa e Efeito é chamada a Patice a Samupada Dhamma.

No Anguttara Nikaya, o Buda ensina que minha ação é minha propriedade, "minha ação é minha herança, minha ação é a matriz que me nutre, minha ação é meu parente, e minha ação é meu refúgio". O dharma ou doutrina

R. — Quarenta e nove dias.

175. P. — Como se chama o primeiro discurso pregado pelo Buda, aquele que dirigiu aos seus cinco primeiros companheiros?
R. — O Dhammacakka-ppavattana sutta, ou seja, o Sutra da Definição da Regra da Doutrina.

176. P. — Que assuntos tratou neste discurso?
R. — Ocupou-se das "Quatro Nobres Verdades" e do "Nobre Óctuplo Caminho". Condenou a extrema mortificação física dos ascetas, por um lado, e o gozo dos prazeres sensuais por outro; apontando e recomendando o nobre óctuplo caminho como via intermediária.

177. P. — Sustentou o Buda o culto dos ídolos?
R. — Não, antes se opôs a ele. O culto aos deuses, aos espíritos, às árvores, etc., foi condenado pelo Buda.

O culto externo é uma cadeia que é preciso romper se se quiser progredir.

178. P. — Mas não reverenciam os budistas a estátua do Buda, suas relíquias e os monumentos que as guardam?
R. — Sim, mas não com o sentimento do idólatra.

179. P. — Qual é a diferença?

Após a aparição da primeira edição, recebi de um dos mais capazes eruditos do Ceilão, L. Corneille Wijesinha, Mudaliar de Matale, o que me parece uma melhor versão do Dhammacakka-ppavattana, a saber: "O estabelecimento do reino da Lei". O professor Rhys-Davids prefere: "O Fundamento do Reino da Retidão". O Sr. Wijesinha me escreve: "Pode você usar também a versão 'Reino da Retidão', embora tenha mais sabor de teologia dogmática do que de ética filosófica.

O Dhammacakkappavattana suttam é o discurso intitulado 'O Estabelecimento do reino da Lei'. Tendo mostrado isto ao Sumo Sacerdote, tenho a satisfação de poder dizer que ele concorda com a versão de Wijesinha.

segunda parte

R. — Nossos irmãos pagãos não apenas tomam as imagens como representações visíveis de seu Deus invisível ou de seus deuses, mas o idólatra refinado, ao render culto às imagens, considera que o ídolo contém em sua substância uma porção da divindade que tudo penetra.

180. P. — O que pensa o budista?
R. — O budista reverencia a estátua de Buda e o demais que mencionastes, apenas como recordações do homem mais grande, mais sábio, mais benevolente e mais compassivo deste período (Kalpa) do mundo.

Todos os povos conservam, entesouram e estimam as relíquias e as recordações dos homens e mulheres que em qualquer aspecto se consideraram grandes.

O Buda, a nosso juízo, nos parece mais digno de ser reverenciado e amado do que nenhum outro, para todo ser humano que conheça a aflição.

181. P. — Deixou-nos o próprio Buda algo concreto sobre este assunto?
R. — Certamente.

No Mahā Pari-Nirvāna Sutta diz-se que a emancipação só pode ser alcançada levando uma vida santa, de acordo com o Nobre Óctuplo Sendero, não pelo culto externo (āmisa pūjā), nem pela adoração a ele ou a outro, ou a alguma imagem.

182. P. — Qual era o conceito que o Buda tinha do cerimonial sistemático?
R. — Desde o princípio, condenou ele a observância das cerimônias e outras práticas externas, que só tendem a aumentar nossa cegueira espiritual e nosso apego a meras formas sem vida.

183. P. — O que opinava o Buda das controvérsias?
R. — Em numerosos discursos denunciou este hábito como o mais pernicioso.

Prescreveu ele penitências para os bikkhus que gastam o tempo e debilitam suas intuições superiores discutindo teorias e sutilezas metafísicas.

184. P. — Fazem parte do Budismo os feitiços, encantamentos, a observância das horas propícias e as danças demoníacas?
R. — Opõem-se fortemente a seus princípios fundamentais.

São aquelas relíquias que sobrevivem do fetichismo, do panteísmo e de outras religiões estrangeiras.

No Brāhmajāta Sutta, o Buda descreveu estas e outras superstições categoricamente, como pagãs, inferiores e espúrias¹.

185. P. — Que contrastes surpreendentes há entre o Budismo e o que pode ser chamado propriamente de "religiões"?
R. — Entre outras, estas: Ensina a mais elevada bondade sem um Deus criador; uma continuidade de vida, sem aceitar a supersticiosa e egoísta doutrina de uma substância anímica metafísica eterna que se separa do corpo; uma felicidade sem céu objetivo; um método de salvação sem um Salvador substituto; a redenção por si mesmo como Redentor, sem ritos, orações, penitências, sacerdotes ou santos intercessores; e um summum bonum, isto é, o Nirvāna, que se pode alcançar nesta vida e neste mundo levando uma vida pura, altruísta, de sabedoria e de compaixão para todos os seres.

186. P. — Especifique as duas principais divisões da "meditação", isto é, do processo pelo qual se extingue a paixão e se alcança o conhecimento.

R. — Samatha e Vidarsama: 1º a atenuação da paixão levando uma vida santa e por um continuado esforço para subjugar os sentidos; 2º o logro da sabedoria supranormal por reflexão.

Cada uma destas abrange vinte aspectos, mas não é preciso que os especifique aqui.

¹ A mistura destas artes e práticas com o Budismo é um sinal de degeneração.

Seus feitos e fenômenos são reais e se podem explicar cientificamente.

Incluem-se no termo "magia"; mas quando se relacionam com miras egoístas, atraem más influências sobre alguém e são um obstáculo para o progresso espiritual.

Quando se empregam para desígnios benéficos e inofensivos, tais como a cura de enfermos, a salvação de uma vida, etc., o Buda autorizou seu uso.

segunda parte

P.— Quais são os quatro caminhos ou etapas de progresso que se podem alcançar? R.— 1° Sottapatti — o começo ou entrada que se segue depois que se adquiriu clara percepção das “Quatro Nobres Verdades”; 2° Sakardāgāmi — o caminho daquele que subjugou de tal modo o desejo, o ódio e a ilusão, que só tem que voltar uma vez mais a este mundo; 3° Anāgami — o caminho dos que adquiriram tal domínio de si mesmos, que já não necessitam voltar a este mundo; 4° Arhat — o caminho do santo e digno Arhat, que não só está livre da necessidade da reencarnação, mas se capacitou para desfrutar de uma perfeita sabedoria, uma piedade ilimitada pelos ignorantes e pelos que sofrem, e um amor imensurável por todos os seres.

188. P.— Contém o Budismo popular somente o que é verdade e está de acordo com a ciência? R.— Como toda religião que existiu durante muitos séculos, certamente contém agora erros misturados com verdade; sempre o ouro se encontra misturado com escória. A imaginação poética, o zelo, ou a prolongada superstição dos devotos budistas, em várias épocas e em várias regiões, misturaram os nobres princípios das doutrinas morais do Buda com outras coisas que se poderiam suprimir com vantagem.

o dharma ou doutrina

189. P.— Qual deve ser o ardente desejo do verdadeiro budista, quando se descobrem tais perversões? R.— O verdadeiro budista deve estar disposto e desejoso de que o falso seja expurgado do verdadeiro, facilitando-o se puder. Três grandes Concílios da Sangha se reuniram com o fim expresso de purgar os ensinamentos de todas as interpolações.

190. P.— Quando? R.— O primeiro na gruta Sattapani, imediatamente depois do falecimento do Buda; o segundo em Valukarama, em Vaisāli; o terceiro no Vihāra Asokarama, em Pataliputra, anos depois da morte do Buda.

191. P.— Em qual discurso o Buda mesmo nos adverte que há que esperar essa perversão da verdadeira doutrina? R.— No Sanyutta Nikāya. 192. P.— Há alguns dogmas no Budismo que devamos aceitar pela fé? R.— Não. Nos é formalmente prescrito que não aceitemos nada baseado sobre a fé, ainda que esteja escrito nos livros, nos tenha sido transmitido por nossos antepassados e nos tenha sido ensinado por sábios.

193. P.— Ensinou realmente ele mesmo essa nobre regra? R.— Sim. O Buda disse que não devemos crer numa coisa que se diz, meramente porque se diz; nem em tradições porque nos tenham sido transmitidas da antiguidade; nem em rumores, como tais; nem em escritos de sábios, meramente porque os sábios os escreveram; nem em fantasias que possamos suspeitar nos tenham sido inspiradas por um Deva (isto é, em presumida inspiração espiritual); nem em deduções derivadas de qualquer hipótese que possamos fazer; nem porque uma coisa nos pareça de lógica necessária. 48 segunda parte

sidad; nem pela mera autoridade de nossos próprios instrutores ou mestres.

194. P. – Quando devemos, pois, crer? R. – Devemos crer quando a doutrina escrita ou oral é corroborada por nossa própria razão e consciência.

“Por isso”, disse ele para concluir, “eu vos ensino que não creiais meramente porque ouvistes, mas que quando crerdes por vossa própria consciência, atueis então de acordo com ela e com abundância”. (Vede o Kalama Sutta do Anguttara Nikaya, e o Mahā Pari Nirvāna Sutta). 195. P. – Como se chama o Buda a si mesmo? R. – Disse que ele e os demais Budas são apenas “pregadores” da verdade que indicam o caminho; nós mesmos devemos efetuar o esforço.

196. P. – Onde se diz isso? R. – No Dhammapada, capítulo XX. 197. P. – Protege o Budismo a hipocrisia? R. – Diz o Dhammapada: “As belas palavras daquele que não obra de acordo com elas são estéreis e se parecem a uma bela flor cheia de cor, mas sem aroma”. 198. P. – Nos ensina o Budismo que devolvamos mal por mal? R. – No Dhammapada, o Buda diz: “Se algum homem me fizer dano insensatamente, devolver-lhe-ei a proteção do meu benévolo amor; quanto maior mal vier dele para mim, tanto mais bem sairá de mim”. Tal é a norma que segue o Arhat 1. Devolver mal por mal está positivamente proibido no Budismo.

Arhat é o asceta budista que, seguindo certas regras e práticas, alcança um estado superior de desenvolvimento espiritual e intelectual.

Os Arhat-s podem dividir-se nos dois grupos gerais: os Samathayanika e os Sukkha Vipassaka.

Os primeiros destruíram suas paixões e desenvolveram plenamente sua capacidade intelectual ou sua penetração mística; os últimos dominaram igualmente as paixões, mas não adquiriram os poderes mentais superiores.

Os primeiros podem realizar fenômenos, não os últimos.

O Arhat da primeira classe, quando se desenvolveu como tal por completo, já não é mais presa das ilusões dos sentidos, nem é escravo da paixão nem da fragilidade mortal.

Penetra ele até a raiz de qualquer assunto em que se enfoque sua mente, sem seguir o lento processo do raciocínio.

199. P. – Admite o Budismo a crueldade? R. – De modo algum.

Nos Cinco Preceitos e em muitos de seus discursos, o Buda nos ensina que sejamos compassivos com todos os seres, que tratemos de fazê-los felizes, que os queiramos, que nos abstenhamos de tirar-lhes a vida, de consentir nisso ou de encorajar outros para que o façam.

200. P. – Em que discurso se afirma isso? R. – O Dhammika Sutta diz: Que ele (o pai de família) não destrua, ou motive a destruição de nenhuma vida, ou sancione a ação dos que o fazem.

Que ele se abstenha até de fazer dano a algum ser 1.

saka.

Seu domínio de si é completo; e em vez da emoção e do desejo que apequenam e escravizam o homem vulgar, elevou-se a uma condição que se expressa melhor pelo termo "Nirvânico". Existe no Ceilão a errônea crença de que é impossível agora alcançar o estado de Arhat; dizem que o próprio Buda profetizou que o poder se esgotaria mil anos após a sua morte.

Esse rumor (e o semelhante que se ouve por todos os lados na Índia, de que sendo o atual o ciclo obscuro do Kali Yuga, a prática da Yoga Vidya, ou ciência sublime, é impossível), esse rumor, digo, atribuiu-se à ingenuidade daqueles que deveriam ser tão puros e tão sábios psiquicamente (empregando um termo não budista, mas muito apropriado) quanto os seus predecessores, mas não o são e, portanto, buscam uma desculpa.

O Buda ensinou completamente o contrário.

No Niga Nikaya, diz: "Ouve, Subbhadra, o mundo nunca estará sem Arhat-s se os ascetas (bikkhus) das minhas congregações observarem bem e verdadeiramente os meus preceitos". (Ymeccha Subhadda-bhikkhu samma vihareiyum asunno loko Arahantehiassa). 1 Kolb, em sua História da Cultura, diz: "Há que se agradecer ao Budismo o perdoar a vida aos prisioneiros de guerra, que até então haviam sido 50 segunda parte

201. P.- O Budismo aprova a embriaguez? R.- No seu Dhammika Sutta, somos prevenidos contra a bebida de licores, contra o ser causa de que outros bebam ou contra o sancionar os atos dos que bebem 1. 202. P.- A que se nos diz que conduz a embriaguez? R.- Ao desmerecimento, ao crime, à demência e à ignorância, que é a causa principal do renascimento.

203. P.- O que ensina o Budismo sobre o matrimônio? R.- Sendo a castidade absoluta uma condição de pleno desenvolvimento espiritual, recomenda-se com insistência; mas o casamento com uma só mulher e a fidelidade para com ela reconhecem-se como um grau de castidade.

A poligamia foi censurada pelo Buda como implicando a ignorância e promovendo a luxúria.

204. P.- Em que discurso se diz isso? R.- No Anguttara Nikaya, capítulo IV, 55. 205. P.- O que ensina quanto ao dever dos pais para com os filhos? R.- Devem afastá-los do vício, acostumá-los à virtude, ensinar-lhes as artes e as ciências, proporcionar-lhes esposas e maridos convenientes e dar-lhes a sua herança.

206. P.- Qual é o dever dos filhos? R.- Sustentar os seus pais quando forem anciãos ou estiverem necessitados; cumprir os deveres de família que lhes incumbam;

mortos; e também o abandono do costume de levar como cativos os habitantes dos países vencidos". 1 O quinto sila se refere ao mero uso de tóxicos e substâncias calmantes, que conduzem finalmente a uma espécie de embriaguez.

o dharma ou doutrina

conservar a sua propriedade; fazerem-se dignos de serem os seus herdeiros; e quando desaparecerem da terra, honrar a sua memória.

207. P. - Qual é o dever dos discípulos para com o mestre? R. - Mostrar-lhe respeito; servi-lo; obedecer-lhe; suprir suas necessidades; ouvir suas instruções.

208. P. - Quais são os deveres do marido para com a esposa? R. - Protegê-la; tratá-la com respeito e bondade; ser-lhe fiel; fazer com que seja bem considerada pelos outros; proporcionar-lhe vestimentas e ornamentos adequados.

209. P. - Quais os da esposa para com o marido? R. - Mostrar-lhe afeto; administrar bem sua casa; ser hospitaleira com os convidados; ser casta; ser econômica; demonstrar habilidade e diligência em todas as coisas.

210. P. - Onde se ensinam esses preceitos? R. - No Sigālovāda Sutta.

211. P. - As riquezas facilitam ao homem a felicidade futura? R. - O Dhammapada diz: "Um é o caminho que conduz à opulência, e outro o caminho que conduz ao Nirvāna". 212. P. - Isso significa que o rico não possa alcançar o Nirvāna? R. - Isso depende do que ele mais ama.

Se ele usa sua riqueza em benefício do gênero humano (em favor dos que sofrem, dos oprimidos, dos ignorantes), então sua riqueza lhe serve para adquirir méritos.

213. P. - E se ocorrer o contrário? R. - Se ele cobiça e, avaramente, acumula dinheiro para satisfazer-se em sua posse, então seu senso moral se enfraquece, e isso o impulsiona ao pecado, o que lhe atrai maldições nesta vida, e seus efeitos são sentidos no próximo nascimento.

SEGUNDA PARTE

214. P. - O que diz o "Dhammapada" sobre a ignorância? R. - Que é uma mancha pior do que todas as que possam cair sobre o homem.

215. P. - O que diz sobre a dureza para com os outros? R. - Que as faltas alheias são facilmente vistas, mas as próprias são difíceis de descobrir.

O homem espalha as faltas do seu próximo como a palha, mas oculta as próprias como um trapaceiro oculta nos dados o que lhe é desfavorável.

216. P. - Que conselho nos dá o Buda a respeito do dever do homem para com os pobres? R. - Diz que os rendimentos integrais do homem devem ser divididos em quatro partes, das quais uma deve ser dedicada a objetivos filantrópicos.

217. P. - Quais são as cinco ocupações que se dizem inferiores e baixas? R. - Vender licores, vender animais para que sejam mortos, vender substâncias prejudiciais, vender armas mortíferas e traficar com escravos.

218. P. - Quem seria incapaz do progresso em espiritualidade? R. - Os parricidas e os que causem a morte de santos Arhat-s; os bikkhus que semeiam a discórdia na Sangha; os que tentam fazer mal à pessoa de um Buda; os que sustentam ideias demasiado niilistas sobre a existência futura; e os que são extremamente sensuais.

219. P. - O Budismo especifica lugares ou condições de tormento para os quais o Karma arrasta o malvado quando deixa esta vida? R. - Sim. São eles: Sanjīva; Kālasātra; Sanghāta; Raurava; Mahā-Raurava Tāpa; Pratāpa; Avāchi.

O DHARMA OU DOUTRINA

220. P. — É eterno o tormento? R. — Certamente que não. Sua duração depende do Karma do homem.

221. P. — Declara o Budismo que os que não creem em Buda serão condenados necessariamente por sua incredulidade? R. — Não. Por suas boas ações podem eles desfrutar de um prazo limitado de felicidade antes de serem arrastados ao renascimento por seu tanhā não esgotado.

Para livrar-se do renascimento, é preciso trilhar o Nobre Óctuplo Sendero.

222. P. — Qual é a condição espiritual da mulher entre os budistas? R. — Segundo nossa religião, as mulheres estão em um plano de perfeita igualdade com os homens.

“A mulher”, diz o Buda no Chullavedalla Sutta, “pode alcançar o mais elevado sendero de santidade aberto ao homem — o estado de Arhat”. 223. P. — O que diz um crítico moderno do efeito do Budismo sobre a mulher? R. — Que “fez mais pela felicidade e pela emancipação da mulher do que nenhum outro credo”. (Sir Lepel Griffin.) 224. P. — O que ensinou o Buda sobre as castas? R. — Que não se pertence a uma casta, seja ela a Paria, a inferior, ou a Brāhmana superior, por nascimento, mas sim pelos feitos.

“Por seu modo de agir”, disse, “o homem pode perder a casta; por seus feitos, pode tornar-se um Brāhmana” (Ver Bassala Sutta). 225. P. — Quer contar-me uma lenda que ilustre esta afirmação? R. — Ānanda, ao passar ao lado de um poço, tinha sede e pediu a Prakrti, moça da casta matanga ou paria, que lhe desse água.

Ela lhe disse que era de uma casta tão baixa que o contaminaria se tomasse água de sua mão.

Mas Ānanda replicou: “Não te peço tua 54 segunda parte

casta, mas a água” e a jovem matanga se regozijou e deu-lhe de beber.

O Buda a abençoou por isso.

226. P. — O que disse o Buda no “Vasala Sutta” acerca de um homem da casta paria? R. — Que por seus méritos alcançou a maior fama; que muitos Khattiyas (Kshattriyas) e Brāhmanas foram seus servidores; e que depois da morte nasceu no mundo de Brahma; ao passo que há muitos Brāhmanas que por suas más ações nascem nas regiões inferiores.

227. P. — Ensina o Budismo a imortalidade da alma? R. — Considera a “alma” como uma palavra usada pelo ignorante para expressar uma ideia falsa.

Se tudo está sujeito a mudança, o homem fica incluído, e todas as partes materiais dele devem mudar.

O que está sujeito a mudança não é permanente: de modo que não pode haver sobrevivência imortal em uma coisa mutável 1. 228. P. — O que é o que é tão discutível nesta palavra “alma”? R. — A ideia associada a ela de que o homem possa ser uma entidade separada de todas as demais, e de todo o Universo. Esta ideia da separatividade é irracional, impossível de provar pela lógica nem de sustentar pela ciência.

229. P. — Então é que não há um “eu” separado, nem podemos chamar “meu” a isto ou aquilo? R. — Isso exatamente.

230. P. — Se havemos de rejeitar a ideia de uma “alma” humana se-

A “alma” que aqui se discute é o equivalente do grego *psyche*.

A palavra “material” cobre outros estados de matéria que os do corpo físico.

o *dharma* ou doutrina

Pergunta: O que é que no homem lhe dá a impressão de ter uma personalidade permanente? R.: *Tanhā*, ou o desejo não satisfeito de existência.

Tendo o Ser feito aquilo pelo qual deve ser recompensado ou castigado no futuro, e tendo *Tanhā*, terá um renascimento pela influência do *Karma*.

231. P.: O que é que há de nascer? R.: Um novo agregado de *skandha-s*, ou personalidade¹,

Após refletir, substituí a palavra “personalidade” pela de “individualidade” escrita na primeira edição.

As encarnações sucessivas sobre uma ou muitas terras, ou “descidas na geração” das partes *tanhaicamente* coerentes (*skandha-s*) de um certo ser, são uma sucessão de personalidades.

Em cada nascimento, a personalidade difere da anterior e da posterior.

*Karma*, o *deus ex machina*, oculta-se (ou deveríamos dizer reflete-se?), ora na personalidade de um sábio, ora na de um artesão, e assim sucessivamente através do cordão de nascimentos.

Mas, embora as personalidades estejam sempre mudando, a linha única de vida na qual se engastam como contas de um colar é contínua; é sempre aquela “linha particular”, não outra.

Portanto, é o indivíduo (uma ondulação vital individual) o que transcorre através do lado objetivo da Natureza, sob o impulso do *Karma* e a direção criadora de *Tanhā*, e persiste ao longo de muitos ciclos.

O Professor Rhys-Davids chama àquilo que passa de uma personalidade a outra seguindo a cadeia individual, “caráter” ou “modo de ação”. Dado que o “caráter” não é mera abstração metafísica, mas a soma das qualidades mentais de alguém e das propensões morais, não nos ajudaria a dissipar o que o Professor Rhys-Davids chama “o expediente desesperado de um mistério” (*Buddhism*, pág. 101), considerar a ondulação da vida como individual, e cada uma de suas séries de manifestações natais como uma personalidade separada? É preciso que tenhamos duas palavras para distinguir entre os conceitos, e não encontro nada tão claro e expressivo quanto as duas que escolhi.

O perfeito indivíduo, segundo o budismo, é um Buda, diria eu; porque um Buda é apenas a flor rara da humanidade, sem a menor mistura sobrenatural.

E como se requerem inúmeras gerações —“quatro *asankhyyas* e cem mil ciclos” (Fansboll e Rhys-Davids: *Buddhist Birth Stories*, núm. 13)— para converter um homem em Buda, e a férrea vontade de chegar a sê-lo é contínua através de todos os nascimentos sucessivos, o que é que assim quer e persevera? O caráter ou a individualidade? Uma individualidade, mas parcialmente manifestada em um dado nascimento, construída com fragmentos de 56 segunda parte

produzido pelo último pensamento fecundo da pessoa que morre.

232. P. – Quantos skandha-s há? R. – Cinco.

233. P. – Quais são seus nomes? R. – Rūpa, Vedanā, Sañña, Samkhārā e Viññāna.

234. P. – Explique brevemente o que são.

R. – Rūpa, as qualidades materiais; Vedanā, a sensação; Sañña, as ideias abstratas; Samkhārā, as tendências da mente; Viññāna, os poderes mentais ou consciência.

Disto somos formados.

Pelos skandha-s temos consciência da existência; e por eles podemos nos comunicar com o mundo que nos rodeia.

235. P. – A que causa devemos atribuir as diferenças na combinação dos cinco skandha-s que fazem com que cada indivíduo difira de todos os outros? R. – Ao Karma amadurecido pelo indivíduo em seus precedentes nascimentos.

236. P. – Qual é a força ou energia que opera, sob a guia do Karma, para produzir o novo Ser? R. – Tanhā, a vontade de viver¹.

237. P. – Sobre o que se baseia a doutrina dos renascimentos? R. – Sobre a percepção de que a justiça perfeita, o equilíbrio e o ajuste são inerentes ao sistema universal da Natureza.

todos os nascimentos.

A negação da alma por Buda (ver Sanyutta Nikaya, do Sutta Pitaka) aponta para a crença prevalecente ilusória em uma personalidade independente; em uma entidade que, após o nascimento, fosse parar em um lugar ou estado onde, como entidade perfeita, pudesse sofrer ou gozar eternamente. E o que ele mostra é que o “eu sou eu” da consciência é, quanto à permanência, logicamente impossível, pois seus elementos constituintes mudam constantemente, e o “eu” de um nascimento difere do “eu” de outro nascimento.

Mas tudo o que encontrei no Budismo concorda com a teoria de uma evolução gradual do homem perfeito, isto é, de um Buda, através de inúmeras experiências natais.

E na consciência do indivíduo que, ao final de uma dada cadeia de nascimentos, alcança o estado de Buda, ou que consegue alcançar a quarta etapa de Dhyana, ou seja, o místico desenvolvimento de si mesmo, em algum dos nascimentos anteriores ao final, são perceptíveis as cenas de todos esses nascimentos seriais.

No Jātakatthavannana (tão bem traduzido pelo professor Rhys-David), aparece continuamente uma expressão que creio apoiar essa ideia, a saber: “Então o Bem-aventurado manifestou um fato oculto pela mudança de nascimentos”, ou “aquilo que havia sido oculto”, etc.

O primitivo Budismo refere-se então claramente a uma permanência dos anais no Akāsha, e à capacidade potencial do homem de lê-los quando se desenvolveu até o ponto da verdadeira iluminação individual.

Na morte, e nas convulsões e transe, o javana chitta é transferido para o último objeto criado pelos desejos.

A vontade de viver traz à objetividade todos os pensamentos.

o dharma ou doutrina

Os budistas não creem que uma vida (ainda que esta fosse de cem ou de quinhentos anos) seja bastante longa para a recompensa ou a correção das ações do homem.

O grande círculo de renascimentos será percorrido mais ou menos rapidamente segundo a pureza ou impureza que predominem nas várias vidas do indivíduo.

238. P.— É esta nova agregação de skandha-s (esta nova personalidade) o mesmo Ser que o do prévio nascimento, cujo Tanhā a trouxe à existência? R.— Em um sentido é um novo Ser; em outro, não. Em páli é “nacha so nacha añño”, que significa que não é o mesmo, nem outro.

Durante esta vida, os skandha-s estão mudando constantemente¹; e enquanto que o homem Fulano de Tal, de quarenta anos, é idêntico quanto à personalidade ao jovem de igual nome de dezoito anos, no entanto, pelo contínuo desgaste e recuperação do seu corpo, e a mudança de mentalidade e caráter, é um ser diferente.

Porém, o homem idoso colhe justamente a recompensa ou sofrimento consequentes aos seus pensamentos e ações em cada prévia etapa da sua vida.

Assim o novo Ser de um renascimento, sendo o mesmo indivíduo que antes, mas com forma mudada, ou uma nova agregação de skandha-s, colhe justamente as consequências dos seus atos e pensamentos na anterior existência.

239. P.— Mas o homem de idade recorda os incidentes da sua juventude, a despeito de estar física e mentalmente mudado.

Por que, pois, não trazemos a recordação de vidas passadas do nosso último nascimento ao presente? R.— Porque a memória faz parte dos skandha-s; e tendo mudado os skandha-s com cada nova encarnação, desenvolve-se uma nova memória, arquivo dessa existência particular.

No entanto, o registro ou reflexo de todas as vidas terrenas passadas deve sobreviver; pois, quando o príncipe Siddārtha se converteu em Buda, viu a plena sequência dos seus prévios nascimentos.

Se os seus diversos incidentes não tivessem deixado pegada, isto não poderia ter ocorrido, pois nada haveria que ele pudesse ver.

E qualquer um que alcance o quarto estado de Dhyāna (co—

Fisiologicamente falando, o corpo do homem muda completamente a cada sete anos.

o dharma ou doutrina

conhecimento profundo interno), pode seguir assim a linha de suas vidas.

240. P. - Qual é o último ponto para o qual tendem todas essas séries de mudanças de forma? R. - O Nirvāna. 241. P. - Ensina o Budismo que devemos fazer o bem com o objetivo de alcançar o Nirvāna? R. - Não. Isso seria um egoísmo tão absoluto como se tivéssemos esperado uma recompensa pecuniária, um trono, ou qualquer outra satisfação dos sentidos.

O Nirvāna não pode ser alcançado assim, e o especulador imprudente está condenado à decepção.

242. P. - Pode esclarecer isso um pouco mais? R. - Nirvāna é sinônimo de esquecimento de si mesmo, de entregar-se por completo à verdade.

O ignorante aspira à felicidade nirvânica sem a mínima ideia de sua natureza.

Nirvāna é a ausência de egoísmo.

Fazer o bem com o objetivo de alcançar resultados, ou levar uma vida santa com o objetivo de obter a felicidade celeste, não é a Vida Nobre que o Buda postulava.

A Vida Nobre deve ser levada sem esperança de recompensa, e essa é a vida superior.

O estado nirvânico pode ser alcançado enquanto se vive na terra.

243. P. - Diga-me quais são os dez grandes obstáculos para o progresso, chamados Sanyojanas (as Cadeias). R. - A ilusão de si mesmo (sakkāyaditthi); a dúvida (vicikicchā); o apego a ritos supersticiosos (silabbata-parāmāsa); a sensualidade, as paixões do corpo (kāma); o ódio, a má vontade (patigha); o apego à vida sobre a terra (ruparāga); o desejo de vida celeste (arūparāga); o orgulho 60 segunda parte

(māna); o tomar a justiça por si mesmo (uddhacca); a ignorância (avijjā). 244. P. - Quantas dessas cadeias é preciso romper para se tornar arhat? R. - Todas.

245. P. - Quais são os cinco nīvaraṇas ou incompatibilidades? R. - A avareza, a maldade, a preguiça, o orgulho e a dúvida.

246. P. - Por que essa minuciosa divisão dos sentimentos, dos impulsos, das operações da mente, dos obstáculos e das ajudas para o progresso, tão usada nos ensinamentos do Buda? Isso é muito complicado para o principiante.

R. - Tem por objetivo dar-nos facilidades para obter o conhecimento de nós mesmos, disciplinando nossas mentes para que reflitamos sobre cada assunto em detalhe.

Seguindo esse sistema do próprio exame, chegamos finalmente a adquirir o conhecimento e a ver a verdade, tal como ela é. Tal é o procedimento adotado por todos os instrutores sábios para facilitar o desenvolvimento da mente de seus discípulos.

247. P. - Quantos dos discípulos do Buda foram especialmente renomados por suas qualidades superiores? R. - São oito os que se distinguiram desse modo.

Eles são chamados Asiti Mahā Sāvakas.

248. P. - O que abrangia a sabedoria do Buda? R. - Conhecia a natureza do Cognoscível e do Incognoscível, o Possível e o Impossível, a causa do Mérito e do Demérito; podia ele ler os pensamentos de todos os seres; conhecia as leis da Natureza, as ilusões dos sentidos e os meios de suprimir os desejos; podia distinguir o nascimento e renascimento dos indivíduos, e outras coisas.

249. P. - O que é o que chamamos o princípio básico sobre o qual está edificada toda a doutrina do Buda? R. - Chama-se Paticca Samuppādā¹.

250. P. - Podemos chegar a compreendê-lo facilmente? R. - É muito difícil. Na realidade, seu pleno significado e extensão está acima da capacidade daqueles que não estão completamente desenvolvidos em espírito.

251. P. - O que diz sobre isso o grande comentador Buda Ghosha? R. - Que ele mesmo se encontrava como desamparado neste vasto oceano de pensamento, como aquele que é arrastrado pelo oceano das águas.

252. P. - Então, por que diz o Buda, no Parinibbana Sutta, que ele "não conserva nada em sua mão de instrutor"? Se todo o seu ensinamento estava aberto à compreensão de todos, por que um homem tão grande e tão instruído como Buda Ghosha declara que é tão difícil de entender? R. - O Buda evidentemente quer dizer que ele ensinava tudo livremente; mas também é certo que a base real do Dharma só pode ser compreendida por aquele que aperfeiçoou seus poderes de compreensão. É ela, portanto, incompreensível para as pessoas vulgares e incultas.

Este princípio básico ou fundamental pode ser designado em páli pela palavra Nidāna, a cadeia de causação, ou literalmente, "a origem da dependência". Especificam-se doze Nidānas, a saber: Avijja, a ignorância da verdade da religião natural; Samkhara, a ação causal, karma; Viññāna, a consciência da personalidade, o "eu sou eu"; Nāma rūpa, o nome e a forma; Salayatana, os seis sentidos; Phassa, o contato; Vedana, o sentimento; Tanhā, o desejo de desfrutar; Upādāna, o apego ou propensão; Bhava, a existência individualizadora; Jati, o nascimento, a casta; Jarā, marana, sokaparidesa, dukkha, domanassa, upāyāsa, o fracasso, a morte, o pesar, os lamentos, a desesperação.

SEGUNDA PARTE

253. P. - O que fazia o Buda a este respeito? R. - O Buda contemplava o coração de cada pessoa e pregava para ajustar-se ao temperamento individual e ao desenvolvimento espiritual do ouvinte.

TERCEIRA PARTE

A SANGHA (ORDEM)

254. P. - Em que diferem os bikkhus budistas dos sacerdotes de outras religiões? R. - Em outras religiões, os sacerdotes pretendem ser intercessores entre os homens e Deus, dar facilidades para obter o perdão dos pecados. Os bikkhus budistas não reconhecem nem esperam nada de um poder divino.

255. P.— Mas, então, para que criar esta Ordem, Confraria ou Sociedade, à parte do povo, se não fazem o mesmo que outras religiões?
R.— O objetivo que se perseguia consistia em dar um meio às pessoas mais virtuosas, inteligentes, altruístas e de mente espiritualizada, para que se afastassem dos ambientes sociais em que seus desejos sensuais ou de outra classe eram fortalecidos; para que dedicassem assim suas vidas à aquisição da mais elevada sabedoria, e se preparassem assim para ensinar e guiar outros, separando-os do agradável caminho que conduz à dor, levando-os à escarpada senda que conduz à verdadeira felicidade e à liberação final.

256. P.— Além das oito regras, que outras duas observâncias são obrigatórias para os bikkhus?
R.— Observo o preceito de abster-me de dançar, de cantar e de fazer demonstrações inconvenientes.

Observo o preceito de abster-me de receber ouro ou prata.

Todo o Dasa, Bikkhu Sīla ou dez preceitos, obrigam a todos os bikkhus e samaneras ou 64 terceira parte

noviços, mas é facultativo para os leigos devotos.

O Atthanga Sīla é para os que aspiram a maiores progressos no além das regiões celestes¹, para os aspirantes ao Nirvāna.

257. P.— Há regras e preceitos à parte para guia e disciplina da Ordem?
R.— Sim. Há duzentos e cinquenta, mas o total pode agrupar-se em quatro classes: regras principais disciplinares (Pātimokkha Samvara Sīla); observâncias para a repressão dos sentidos (Indriya Samvara Sīla); regras para procurar legitimamente alimento e para usá-lo, para dieta, vestidos, etc. (Paccaya Sannissita Sīla); direções para levar uma vida irrepreensível (Ajivapari Suddha Sīla).

258. P.— Enumere algumas culpas e faltas que estão particularmente proibidas para os bikkhus.
R.— Os verdadeiros bikkhus se abstêm de: destruir a vida dos seres; roubar; exibir falsamente poderes “ocultos” para enganar alguém; manter relações sexuais; mentir; beber licores embriagadores ou comer fora de horas; dançar, cantar e fazer demonstrações indecorosas; usar adornos, aromas, perfumes, etc.; usar leitos largos e macios, divãs ou assentos dessa classe; receber presentes de ouro, prata, trigo em grão, carne, ou mulheres, donzelas, escravos, gado, elefantes, etc.; difamar, usar uma linguagem dura ou com reproches; conversar frivolamente; ler e escutar lendas fabulosas e contos; levar ou trazer recados aos leigos; comprar e vender; fazer trapaça; subornar, enganar e realizar fraude; aprisionar, saquear ou ameaçar outros; praticar certas artes e ciências mágicas precisas, tais como a adivinhação, as predições astrológicas, a quiromancia, e

Os Upāsaka e Upāsika observam estas regras nos dias budistas Uposatha (sábados), em sânscrito Upavasata.

São os dias 8°, 14° e 15° de cada meio mês lunar.

a sangha

outras ciências que se agrupam sob o nome de magia.

Tudo isso atrasaria o progresso daquele que aspira a alcançar o Nirvāna. 259. P. – Quais são os deveres dos bikkhus para com os leigos? R. – Geralmente, oferecer-lhes um exemplo da mais elevada moralidade; ensinar-lhes e instruí-los; pregar e expor a Lei; recitar os Paritta (textos confortadores) aos enfermos, publicamente, em tempos de calamidade ou quando forem requeridos para isso; e, incessantemente, exortar o povo a que realize atos virtuosos.

Devem dissuadi-los do vício; ser compassivos e ternos, e tratar de promover a prosperidade de todos os seres.

260. P. – Quais são as regras para a admissão na Ordem? R. – Não é frequente que se admita o candidato antes de completar os dez anos de idade.

Tem que ter o consentimento de seus pais; estar livre de lepra, tumores, tuberculose e ataques; não ter dívidas; e não pode ser um delinquente, ou estar prestando serviço militar.

261. P. – Como se chama o noviço? R. – Samanera, discípulo 1. 262. P. – Com que idade pode um samanera ser ordenado sramana, ou seja, monge? R. – Não antes dos vinte anos.

263. P. – O que acontece quando está disposto para a ordenação? R. – Em uma reunião de bikkhus, é apresentado por um bikkhu apresentador, o qual afirma que está em condições, e o candidato diz: “Peço à Sangha, reverendos senhores, a cerimônia de ordenação (Upasampada), etcétera”. Seu apresentador recomenda então que se o admita, e ele é aceito.

A relação entre ele e seu Guru, ou mestre, é quase a mesma que existe entre o afilhado e o padrinho entre os cristãos, só que mais real, pois o mestre se torna para ele seu pai, sua mãe e toda a sua família.

terceira parte

264. P. – O que faz depois? R. – Veste as vestimentas e repete as três Guias (Tisarana) e os dez Preceitos (Dasa Sila). 265. P. – Quais são as duas coisas essenciais que devem ser observadas? R. – A pobreza e a castidade.

O bikkhu, antes da ordenação, deve possuir oito coisas, a saber: suas vestimentas, um cordão ou cinto para cingi-las, um recipiente de esmolas, um filtro para água, navalha, agulha, leque e sandálias.

Dentro de certas limitações estritamente especificadas na Vināya, pode conservar algumas outras coisas de sua propriedade.

266. P. – Existe algo referente à pública confissão das faltas? R. – Uma vez a cada quinze dias, verifica-se uma cerimônia de descargo (Patimokka), em que cada bikkhu confessa à assembleia as faltas que cometeu e aceita as penitências que sejam prescritas.

267. P.— Qual rotina diária deve seguir? R.— Levanta-se antes da alvorada, lava-se, varre o vihāra, varre ao redor da árvore Bodhi que há próxima a cada vihāra, traz água potável para o dia e a filtra; retira-se para meditar, oferece flores diante da dagoba, ou torre de relíquias, ou diante da árvore Bodhi; toma depois sua tigela de esmolas e vai de casa em casa recolhendo alimento (que não deve pedir, mas receber em sua tigela dado voluntariamente pelos chefes de família). Volta, lava os pés e come, após o que recomeça sua meditação.

a sangha

268. P.— Devemos crer que não exista mérito na oferenda de flores (mala puja) como ato de culto? R.— Esse ato, em si, não tem mérito, como mera formalidade; mas se as flores são oferecidas como a expressão mais pura e mais doce de sentida reverência para com um ser santo, então a oferenda é realmente um ato de culto enobrecedor.

269. P.— Que faz depois o bikkhu? R.— Prossegue seus estudos.

Ao pôr do sol, varre de novo os sagrados lugares, acende luz, escuta as instruções de seu superior e lhe confessa qualquer falta que possa ter cometido.

270. P.— Sobre que faz suas quatro primeiras meditações (Satti-patthana)? R.— 1° Sobre o corpo, Kayānapassānā. 2° Sobre os sentimentos, Vedanānupassānā. 3° Sobre a mente, Chittānupassānā. 4° Sobre a doutrina, Dhammānupassānā. 271. P.— Qual é a finalidade dos quatro grandes esforços (Sammappadhana)? R.— Suprimir os desejos animais de si mesmo e crescer em bondade.

272. P.— Para que o bikkhu perceba a mais elevada verdade, o que é melhor, a razão ou a intuição? R.— A intuição, estado mental em que qualquer verdade que se deseja é instantaneamente percebida.

273. P.— Quando se pode alcançar esse desenvolvimento? R.— Quando, pela prática de Jñana, se chega à quarta etapa de florescimento.

terceira parte

274. P.— Devemos crer que no grau final de Jñana, e na condição chamada Samādhi, a mente está em branco e o pensamento está paralisado? R.— Precisamente o contrário.

Então é quando a consciência é mais intensamente ativa, e quando o poder de obter conhecimento é, em consequência, mais vasto.

275. P.— Trate de me dar um símile.

R.— No estado ordinário de vigília, o estado de percepção do conhecimento é tão limitado quanto a vista daquele que vai por um caminho entre altas colinas.

Na consciência superior de Jñana e Samādhi, sua visão é como a da águia planando nas alturas e abrangendo toda uma região.

276. P.— Que dizem nossos livros sobre o uso dessa faculdade pelo Buda? R.— Dizem-nos que tinha o costume, todas as manhãs, de lançar uma olhada sobre o mundo e via por sua divina visão (clarividentemente), onde havia pessoas dispostas a receber a verdade.

Então ele se esforçava para que, se possível, a alcançassem.

Quando alguma pessoa o visitava, ele via o interior de sua mente, suas motivações secretas, e então pregava de acordo com suas necessidades.

QUARTA PARTE

O PROGRESSO E A DIFUSÃO DO BUDISMO

277. P. – Quanto ao número de seus adeptos, que relação há entre o Budismo e as demais religiões? R. – Os adeptos do Buddha Dharma são mais numerosos que os de qualquer outra religião.

278. P. – Qual é o número que se calcula? R. – Cerca de quinhentos milhões (5.000 lakhs ou 500 crores); ou seja, 5/13, isto é, algo menos da metade da população do antigo mundo.

279. P. – Foram travadas muitas batalhas, foram conquistados muitos países, foi derramado muito sangue humano para difundir o Buddha Dharma? R. – A história não registra uma única dessas crueldades cometidas para propagar nossa religião.

Até onde sabemos, ela não foi causa de que se derramasse uma gota de sangue (veja o testemunho do Professor Kolb). 280. P. – Qual é, pois, o segredo de sua maravilhosa propagação? R. – Não pode ser outro senão sua intrínseca excelência; sua base de verdade evidente por si mesma, sua sublime doutrina moral e sua suficiência para todas as necessidades humanas.

281. P. – Como se propagou? 70 quarta parte

R. – O Buda, durante os quarenta e cinco anos de sua vida como instrutor, viajou pela Índia e pregou o Dharma.

Enviou seus discípulos mais sábios e melhores para que fizessem o mesmo de um extremo ao outro da Índia.

282. P. – Quando enviou seus primeiros missionários? R. – No dia da lua cheia do mês Wap (Outubro). 283. P. – O que lhes disse? R. – Reuniu-os e disse-lhes: “Ide, bikkhus, ide e pregai a lei ao mundo.

Trabalhai pelo bem dos outros, assim como pelo vosso... Levai a boa nova a todos os homens.

Que não haja dois de vós que sigam o mesmo caminho”. 284. P. – Quanto tempo antes da era cristã ocorreu isso? R. – Cerca de seis séculos antes.

285. P. – Que apoio deram os reis? R. – Além das classes inferiores, grandes reis, rajas e marajás se converteram e ofereceram sua influência para propagar a religião.

286. P. – Houve peregrinações? R. – Instruídos peregrinos vieram à Índia em diferentes séculos e voltaram aos seus respectivos países, com livros e ensinamentos.

Desse modo, gradualmente, nações inteiras abandonaram suas crenças e se tornaram budistas.

287. P. – A quem deve o mundo, mais do que a qualquer outra pessoa, o fato de o Budismo ter se estabelecido de forma permanente? R. – Ao imperador Ashoka, chamado o Grande, às vezes Piyadasi, às vezes Dharmashoka.

Era filho de Bindusara, rei de Magadha, e neto de Chandragupta, que rechaçou os gregos da Índia.

o progresso e a difusão do budismo

288. P. – Quando reinou? R. – No século III antes de Cristo, mais de duzentos anos depois do tempo do Buda.

Os historiadores não concordam sobre a data exata, mas não diferem muito.

289. P. - O que o tornou grande? R. - Foi o mais poderoso monarca da história indiana, como guerreiro e como homem de Estado.

Mas suas mais nobres características eram seu amor à verdade e à justiça, a tolerância em matérias de diferenças religiosas, a equidade no governo, a bondade para com os enfermos, os pobres e os animais.

Seu nome é reverenciado desde a Sibéria até o Ceilão.

290. P. - Ele nasceu budista? R. - Não. Ele se converteu aos dez anos de idade, depois de ter sido ungido como rei, por Nigrodha Samanera, que era um Arhat.

291. P. - O que ele fez pelo Budismo? R. - Afugentou os maus bikkhus, estimulou os bons, construiu mosteiros e dagobas em toda parte.

Estabeleceu jardins, abriu hospitais para homens e animais, reuniu um concílio em Patna para revisar e reafirmar o Dharma, promoveu a educação religiosa feminina e enviou embaixadas a cinco reis gregos, seus aliados, e a todos os soberanos da Índia, para expor as doutrinas do Buda.

Foi ele quem construiu os monumentos de Kapilavastu, Buda Gaya, Isipatana e Kusinara, nossos principais lugares de peregrinação, além de muitos outros.

292. P. - Que provas irrefutáveis existem da existência desse nobre personagem? R. - Há poucos anos foram descobertos em várias partes da Índia catorze éditos seus esculpidos em rocha viva e oito sobre pilares erguidos por ordem sua.

Eles provam plenamente que foi um dos soberanos mais sábios e de espírito mais elevado de quantos já viveram.

293. P. - Que caráter dão ao Budismo essas inscrições? R. - Elas mostram que é uma religião de nobre tolerância, de fraternidade universal, de retidão e de justiça.

Não tem ela a mais mínima sombra de egoísmo, de sectarismo ou de intolerância.

Esses éditos fizeram mais do que qualquer outra coisa para conquistar o respeito que agora lhe têm os grandes pandits ou eruditos dos países ocidentais.

294. P. - Que precioso dom fez DharmaShoka ao Budismo? R. - Confiou seu amado filho Mahinda e sua filha Sanghamitta à Ordem, e os enviou ao Ceilão para apresentar a religião.

295. P. - Esse fato está registrado na história do Ceilão? R. - Sim. Tudo foi registrado no Mahavansa, pelos arquivistas dos anais do rei que viviam então e viram os missionários.

296. P. - Há ainda alguma prova visível da missão de Sanghamitta? R. - Sim. Ela trouxe consigo ao Ceilão um ramo da verdadeira árvore Bodhi, sob a qual o Buda se sentava quando alcançou a Iluminação, e essa árvore ainda existe.

297. P. - Onde? R. - Em Anurādhapura.

A história da árvore foi conservada oficialmente até hoje; plantada no ano 306 antes de J.C., é a árvore histórica mais velha do mundo.

298. P. - Quem era o soberano reinante naquele tempo? R. - Devanampiyatissa.

Sua consorte, a rainha Anula, havia convidado Sanghamitta para que viesse e estabelecesse o ramo Bikkhuni da Ordem, promovendo o progresso e a difusão do budismo.

P. – Quem veio com Sanghamitta? R. – Muitas outras bikkhunis.

Ela, a seu devido tempo, admitiu na Ordem a rainha e muitas de suas damas, juntamente com quinhentas virgens.

300. P. – Podemos assinalar as pegadas dos missionários do imperador Ashoka? R. – Seu filho e sua filha introduziram o Budismo no Ceilão; seus monges o levaram a todo o Norte da Índia, a catorze nações indianas além de suas fronteiras, e a cinco reis gregos aliados seus, com quem firmou tratados para que admitissem seus pregadores religiosos.

301. P. – Podeis nomeá-los? R. – Antíoco, da Síria; Ptolomeu, do Egito; Antígono, da Macedônia; Magas, de Cirene, e Alexandre, de Épiro.

302. P. – Onde se pode ver isso? R. – Nos próprios éditos de Ashoka, o Grande, inscritos por ele em rochas e pilares de pedra que ainda estão de pé e que pode ver todo aquele que quiser visitar os lugares.

303. P. – Por meio de quais fraternidades religiosas ocidentais influiu o Buddha Dharma no pensamento ocidental? R. – Por meio da seita dos Esenios da Palestina e dos Terapeutas do Egito.

304. P. – Quando foram introduzidos os primeiros livros budistas na China? R. – Em época tão remota como os séculos segundo ou terceiro antes de J.C. Cinco dos monges de Dharmashoka (segundo consta no Samanta Pasādika e no Sārattha Dīpani, dois livros pāli), foram enviados às cinco regiões da China.

305. P. – De onde e quando passou à Coreia? R. – Da China, no ano 372 depois de J.C. 306. P. – De onde e quando passou ao Japão? R. – Da Coreia, no ano 552 depois de J.C. 307. P. – Quando passou a Nam Phãn, Formosa, Java, Mongólia, Yarkand, Balk, Bókhara, Afeganistão e outros países da Ásia Central? R. – Ao que parece, nos séculos IV e V depois de J.C. 308. P. – Desde o Ceilão, para onde e quando se propagou? R. – Para a Birmânia no ano 450 depois de J.C., e desde ali gradualmente para Arakan, Camboja e Pegu.

No século VII depois de J.C. (em 638), propagou-se no Sião, onde é agora e sempre o foi desde então, a religião do Estado.

309. P. – Desde a Caxemira, para onde se propagou além da China? R. – Para o Nepal e o Tibete.

310. P. – Por que o Budismo, que chegou a ser a religião predominante na Índia, se extinguiu agora ali? R. – O Budismo foi no princípio puro e nobre, a verdadeira doutrina do Tathagata; sua Sangha era virtuosa e observava os preceitos; conquistou ele todos os corações e difundiu gozo por muitas nações, como a luz matutina vivifica as flores.

Mas depois de alguns séculos, foram admitidos maus bikkhus, e ordenados (Upasampada); a Sangha se tornou rica, preguiçosa e sensual; o Dharma se corrompeu, e a nação indiana, por fim, o abandonou.

o progresso e difusão do budismo

311. P. - Ocorreu algo que precipitasse sua queda entre os séculos IX e X depois de J.C.? R. - Sim. 312. P. - Foi alguma outra coisa, além da decadência da espiritualidade, da corrupção da Sangha e da reação do populacho arrastado do elevado ideal do homem, à idolatria ilógica? R. - Sim. Diz-se que os muçulmanos invadiram, assolaram e conquistaram grandes extensões da Índia, fazendo tudo o que podiam em todas as partes para desarraigar nossa religião.

313. P. - De que crueldades se os acusa? R. - Queimaram, derrubaram ou destruíram nossos viharas, mataram nossos bhikkhus e lançaram às chamas nossos livros religiosos.

314. P. - Foram destruídos por completo nossos livros na Índia? R. - Não. Muitos bhikkhus fugiram e passaram as fronteiras, refugiando-se no Tibete e outros lugares seguros e levando consigo seus livros.

315. P. - Foram descobertos recentemente alguns restos desses livros? R. - Sim. Rai Bhādur Sarat Chandra Das, notável pandit de Bengala, viu centenas deles nas bibliotecas dos viharas do Tibete, trouxe consigo cópias de alguns dos mais importantes, e agora foi comissionado pelo Governo da Índia para editá-los e publicá-los.

316. P. - Em que país há razões para crer que se conservem melhor e menos alterados os sagrados livros do primitivo Budismo? 76 quarta parte

R. - Em Ceilão.

A Enciclopédia Britânica diz que nesta ilha, o Budismo tem retido, por razões que ali se especificam, "quase sua pristina pureza, até os tempos modernos". 317. P. - Foi feita alguma revisão do texto dos Pitakas ultimamente? R. - Sim. Foi feita uma cuidadosa revisão do Vinaya Pitaka em Ceilão, no ano de 1875, por uma Convenção dos mais instruídos bhikkhus, sob a presidência de H. Sumangala, Pradhana Sthavira.

318. P. - Foi estabelecida correspondência amistosa, em interesse do Budismo, entre os povos do Sul e os dos países budistas do Norte? R. - No ano de 1891 realizou-se com êxito uma tentativa para que os Pradhana Nakayas das duas grandes divisões aceitassem de comum acordo, catorze proposições que abrangem as crenças fundamentais do Budismo, reconhecidas e aceitas por ambas as divisões.

Estas proposições, redigidas pelo coronel Olcott, foram cuidadosamente traduzidas ao birmanês, cingalês e japonês, discutidas uma a uma, adotadas unanimemente, assinadas pelos monges principais e publicadas em Janeiro de 1892. 319. P. - Que resultado se conseguiu? R. - Como consequência da boa predisposição que agora existe, um certo número de bhikkhus e de samaneras japoneses foram enviados a Ceilão e à Índia para estudar o pali e o sânscrito.

320. P. - Existem indícios de que o Buddha Dharma aumente sua influência sobre países não budistas? R. - Os há.

Vão aparecendo traduções de nossos livros mais valiosos; publicam-se muitos artigos em revistas e jornais, e imprimem-se excelentes tratados originais de escritores distintos.

Nos países ocidentais, além disso, conferencistas budistas e não budistas dissertam sobre o Budismo diante de numerosos auditórios.

A seita Shin Shu dos budistas japoneses enviou missões abertas a Honolulu, a São Francisco da Califórnia, a Sacramento e a outros pontos da América.

321. P. – Quais são as duas ideias principais que se impõem ao pensamento ocidental? R. – As de Karma e Reencarnação.

É muito surpreendente a rapidez de sua aceitação.

322. P. – Qual é a explicação disso? R. – Seu apelo ao instinto natural de justiça e a evidência de sua natureza racional.

QUINTA PARTE

O BUDISMO E A CIÊNCIA

323. P. – Tem o Budismo algum direito de ser considerado como uma religião científica, ou pode ser classificado como “revelação”? R. – Afirmamos da maneira mais categórica que não é uma religião revelada.

O Buda não o pregou assim, nem se entende assim.

Pelo contrário, Ele o deu como afirmação de verdades eternas, que seus predecessores haviam ensinado o mesmo que ele.

324. P. – Repita novamente o título do Sutta em que o Buda nos diz que não acreditemos em nenhuma suposta revelação sem comprová-la pela própria razão e pela experiência.

R. – O Kālāma Sutta do Anguthara Nikaya.

325. P. – Aceitam os budistas a teoria de que tudo tenha sido formado do nada por um Criador? R. – O Buda ensinou que há duas coisas sem causa, a saber, Ākāsha e o Nirvāna. Tudo emanou do Ākāsha em obediência a uma lei de movimento inerente a ele e, após uma determinada existência, se dissipa.

Nada veio jamais do nada.

Não acreditamos em milagres; por isso negamos a criação e não podemos conceber uma criação de algo saído do nada.

Nada orgânico é eterno.

Tudo está em um estado de constante fluxo, e sofre mudança e reforma, mantendo-se a continuidade segundo a lei da evolução.

326. P. – Opõe-se o Budismo à cultura e ao estudo da ciência? R. – Precisamente o contrário.

No Sigālowāda Sutta, em um discurso proferido pelo Buda, Ele especificou como um dos deveres de um instrutor o de dar a seus discípulos “instrução na ciência e no saber”. Os mais elevados ensinamentos do Buda são para os iluminados, os sábios e os pensadores.

327. P.— ¿Podeis mostrar alguma outra corroboração do Budismo na ciência?
R.— A doutrina do Buda ensina que houve muitos progenitores da espécie humana. Também ensina que existe um princípio de diferenciação entre os homens; certos indivíduos têm uma capacidade maior que outros para o rápido logro da Sabedoria e chegada ao Nirvāna.

328. P.— Podeis mostrar algo mais?
R.— O Budismo sustenta a doutrina da indestrutibilidade da força.

329. P.— Deve-se chamar ao Budismo “Código de ciência” ou “Código de moral”?
R.— Falando com propriedade, é uma filosofia moral pura, um sistema de ética e de metafísica transcendental.

É, porém, tão eminentemente prático, que o Buda permaneceu silencioso quando Malunka lhe fez perguntas sobre a origem das coisas.

330. P.— Por que fez isso?
R.— Porque pensava que nossa principal aspiração deve ser ver as coisas tal como existem ao nosso redor e tratar de melhorá-las, sem gastar o tempo em especulações intelectuais.

331. P.— O que dão os budistas como razão para que nasçam crianças muito boas e inteligentes de pais maus, e que nasçam outras más de bons pais?
80 quinta parte

R.— Isso é por causa dos Karmas respectivos das crianças e dos pais.

Cada um pode ter merecido que tais relações pouco usuais se formem no atual nascimento.

332. P.— Diz-se algo sobre o corpo do Buda emanar uma brilhante luz?
R.— Sim. Pelo poder de sua santidade, Ele emanava uma radiação divina.

333. P.— Como se chama em Pali?
R.— Buddharansi, os raios do Buda.

334. P.— Quantas cores se podiam apreciar nela?
R.— Seis, entrelaçadas duas a duas.

335. P.— Quais são seus nomes?
R.— Nīla, Pita, Lohita, Avadata, Mangasta, Prabhasvra.

336. P.— Emitem outras pessoas essa brilhante luz?
R.— Sim; todos os Arhat-s a emitiam e, na realidade, a luz brilha mais intensa e mais resplandecente em proporção com o desenvolvimento espiritual da pessoa.

337. P.— Onde vemos representadas essas cores?
R.— Em todos os vihāra-s em que há pintadas imagens do Buda.

Também se os veem nas franjas da bandeira budista, adotada primeiro no Ceilão e agora difundida por todos os países budistas.

338. P.— Em que discurso fala o próprio Buda desse resplendor que o acompanhava?
R.— No Mahā-Parinibbana Sutta, Ānanda, seu discípulo favorito, dando-se conta do grande resplendor que procedia do corpo de seu Mestre, o Buda, disse que esse brilho extraordinário se apresenta em duas ocasiões: a) imediatamente depois que
o budismo e a ciência

um Tathagata alcança o conhecimento profundo supremo, e b) na noite em que abandona finalmente a terra.

339. P.— ¿Onde se trata desse grande resplendor emitido do corpo de outro Buda? R.— Na lenda de Sumedha e Dipankara Buda, que se encontra no Nidānakathā do livro Jātaka, ou lenda das reencarnações do Bodhisattwa Siddārtha Gautama.

340. P.— Como se descreve? R.— Como um halo de cerca de 6 pés de comprimento.

341. P.— Como o chamam os indianos? R.— Tejas; a extensão de sua radiação chamam de Prākāsha.

342. P.— Como chamam agora os europeus a isso? R.— A aura humana.

343. P.— Que grande homem de ciência provou a existência dessa aura por meio de minuciosos experimentos? R.— O barão Von Reichenbach.

Seus experimentos estão descritos plenamente em suas *Researches*, publicadas em 1845. O Dr. Baraduc, de Paris, fotografou essa luz recentemente. 344. P.— É essa brilhante aura um milagre ou um fenômeno natural? R.— É natural.

Provou-se que não só os seres humanos a possuem, mas também os animais, as árvores, as plantas e até as pedras.

345. P.— Que peculiaridade tem no caso de um Buda ou de um Arhat? R.— É imensamente mais brilhante e mais extensa do que no caso de outros seres e objetos.

Isso prova seu superior desenvolvimento 82 quinta parte

no poder de Yddhi.

Viu-se emanar essa luz de dagobas do Ceilão onde, diz-se, se conservam relíquias do Buda.

346. P.— Acreditam também nessa luz os que pertencem a outras religiões? R.— Sim. Em todos os quadros de artistas cristãos, essa luz se representa como resplandecendo ao redor dos corpos dos personagens santos.

A mesma crença existiu em outras religiões.

347. P.— Que incidente histórico pode citar-se em apoio da teoria moderna da sugestão hipnótica? R.— O de Chullapanthaka, como se diz no comentário Pali do Dhammapada, etc.

348. P.— Relate os fatos, por favor.

R.— Era aquele um bikkhu que havia chegado a Arhat.

No dia mesmo em que isso ocorreu, o Buda enviou um mensageiro para chamá-lo.

Quando o homem chegou ao Vihāra, viu trezentos bikkhus em um grupo, todos idênticos.

Ao perguntar qual dos trezentos era Chullapanthaka, cada um deles disse: “Eu sou Chullapanthaka”. 349. P.— O que fez o mensageiro? R.— Em sua confusão, voltou-se e contou ao Buda.

350. P.— O que lhe respondeu o Buda? R.— Que voltasse ao Vihāra e, se ocorresse o mesmo, pegasse pelo braço o primeiro que dissesse que era Chullapanthaka e o conduzisse até ele. O Buda sabia que o novo Arhat havia feito essa manifestação do poder que acabara de adquirir, para fazer aparecer ilusórias imagens de si mesmo diante do mensageiro.

351. P.— Como se chama em Pali esse poder da ilusão? o budismo e a ciência

R.— Manomaya Yddhi.

352. P. — Eram aquelas imagens ilusórias reproduções da pessoa material do Arhat? R. — Não. Eram reproduções impressas por sua mente e exercitado poder de vontade sobre a mente do mensageiro.

353. P. — A que se poderia compará-las? R. — À imagem do homem em um espelho, que, embora seja exatamente como ele, carece de solidez.

354. P. — O que foi necessário para iludir dessa maneira a mente do mensageiro? R. — Que Chullapanthaka concebesse claramente em sua própria mente sua exata aparência e depois a imprimisse, com tantas reproduções ou repetições quantas quisesse, sobre o cérebro sensitivo do mensageiro.

355. P. — Como se chama agora esse procedimento? R. — Sugestão hipnótica.

356. P. — Poderia uma terceira pessoa ter visto o mesmo? R. — Isso dependeria da vontade do Arhat ou hipnotizador.

357. P. — O que isso quer dizer? R. — Supondo que houvesse ali cinquenta ou quinhentas pessoas, em vez de uma, o Arhat poderia fazer com que todas juntas vissem o mesmo; ou, se quisesse, poderia fazer com que o mensageiro fosse o único a vê-lo.

358. P. — É esse ramo da ciência bem conhecido hoje? R. — Muito bem conhecido; é familiar a todos os estudantes de mesmerismo e hipnotismo.

359. P. — Em que nossas crenças científicas modernas sustentam a teoria do Karma, conforme é ensinada no Budismo? 84 quinta parte

R. — Os modernos homens de ciência ensinam que cada geração herda as consequências das virtudes e vícios da geração precedente, não em massa como tal, mas em cada caso individual.

Segundo o Budismo, cada um de nós consegue um nascimento que está em harmonia com as causas geradas em um nascimento anterior.

Essa é a ideia do Karma.

360. P. — O que diz o Vasettha Sutta sobre a causação na Natureza? R. — Diz: “O mundo existe por uma causa; todas as coisas existem por uma causa; todos os seres estão limitados por uma causa”.

361. P. — Ensina o Budismo a imutabilidade do universo visível: nossa terra, o sol, a lua, as estrelas, o reino mineral, o vegetal, o animal e o humano? R. — Ensina que tudo está mudando constantemente, e que tudo tem que desaparecer no curso do tempo.

362. P. — Para não voltar a reaparecer? R. — Isso não. O princípio da evolução, guiado pelo Karma, individual e coletivo, evoluirá outro universo com seus conteúdos, assim como nosso universo evoluiu do Akasha.

363. P. — Admite o Budismo que o homem tem em sua natureza alguns poderes latentes para a produção de fenômenos vulgarmente chamados de “milagres”? R. — Sim, mas esses poderes são naturais, não sobrenaturais.

Podem ser desenvolvidos por um certo sistema que se expõe em nossos livros sagrados, no Visuddhi Mārga, por exemplo.

364. P. — Como se chama esse ramo da ciência? R. — O nome em pali é Yddhi-vidhanana.

365. P. - Quantas classes de poderes existem? R. - Duas.

Bahira, ou seja, o poder de produzir fenômenos que pode ser obtido temporariamente por meio de práticas ascéticas e também recorrendo a drogas, recitação de mantras (encantos), ou outras ajudas estranhas; e Sasanika, que é o poder em questão adquirido por desenvolvimento interno de si mesmo, e que abrange todos os fenômenos de Lankika Yddhi e até mais.

366. P. - Pode-se perder esse poder Yddhi? R. - O Bāhira pode ser perdido; mas o Sasanika nunca, uma vez adquirido.

O conhecimento Lokottara, uma vez obtido, nunca se perde; e somente por esse conhecimento o Arhat conhece a condição absoluta de Nirvāna. Esse conhecimento pode ser obtido seguindo a nobre vida do Nobre Óctuplo Sendero.

367. P. - Possuía Buda os Yddhi Lokottara? R. - Sim, à perfeição.

368. P. - E seus discípulos também os tinham? R. - Sim, mas alguns não de igual modo; pois a capacidade de adquirir esses poderes ocultos varia com o indivíduo.

369. P. - Quer dar-nos um exemplo? R. - De todos os discípulos do Buda, Mogallana estava em posse dos mais extraordinários poderes para produzir fenômenos, enquanto Ānanda não pôde desenvolver nenhum durante os vinte e cinco anos em que foi discípulo pessoal e íntimo do próprio Buda.

Mais tarde os alcançou, como o Buda lhe havia predito.

370. P. - Adquirem-se esses poderes gradualmente ou de um modo repentino? 1.

Sumangala Sthavira me explica que esses poderes transcendentes são possuídos permanentemente somente por aquele que subjugou todas as paixões (Klesa), em outras palavras, por um Arhat.

Um homem mau pode desenvolver poderes e 86 quinta parte

R. - Normalmente, desenvolvem-se de um modo gradual, à medida que o discípulo alcança progressivamente domínio sobre sua natureza inferior em uma série de nascimentos 1. 371. P. - Pretende o Budismo que seja possível o milagre de ressuscitar os mortos? R. - Não. O Buda ensina o contrário, nessa bela lenda de Kisa Gotami e o grão de mostarda.

Mas quando uma pessoa apenas parece morta, mas não está, é possível a ressurreição.

372. P. - Dê uma ideia das sucessivas etapas do desenvolvimento Lokottara em Yddhi.

R. - Há seis graus que podem alcançar os Arhat-s; o superior a eles somente pode ser alcançado por um Buda.

373. P. - Descreva as seis etapas ou graus.

R. - Podemos dividi-los em dois grupos, de três cada um.

O primeiro inclui: 1° A retrospecção progressiva, ou seja, um poder adquirido gradualmente para olhar para trás no tempo em direção à origem das coisas; 2° A predição progressiva, ou poder profético; 3° A extinção gradual do desejo e dos apegos às coisas materiais.

374. P. - O que inclui o segundo grupo? R. - As mesmas faculdades, mas desenvolvidas de modo ilimitado.

De modo que o pleno Arhat possui a retrospecção perfeita, a perfeita previsão, e extinguiu absolutamente o último vestígio de desejo e de atrações egoístas.

pode usá-los com maus fins, mas sua atividade é breve, posto que as rebeldes paixões dominam ainda o feiticeiro e este, no final, é vítima delas.

Quando aparecem repentinamente os poderes, infere-se que o indivíduo se havia desenvolvido em uma existência anterior.

Nós não acreditamos em rupturas excêntricas da lei natural.

o budismo e a ciência

375. P. – Quais são os quatro meios de obter Yddhi? R. – A vontade, seu exercício, o desenvolvimento mental e o discernimento entre o bem e o mal.

376. P. – Nossas Escrituras relatam centenas de exemplos de fenômenos produzidos por Arhat-s; qual é o nome dessa faculdade ou poder? R. – Yddhi vidha.

Aquele que o possui pode produzir qualquer fenômeno maravilhoso, manipulando as forças da Natureza; isto é, realizar qualquer experimento científico que queira. 377. P. – Estimulou o Buda a ostentação de fenômenos? R. – Não. Condenou-a expressamente, porque tendiam a criar confusão na mente dos que não conhecem os princípios que implicam.

Incita também os que os possuem a mostrá-los para satisfazer meramente a curiosidade ociosa e a própria vaidade.

Além disso, fenômenos semelhantes podem ser produzidos por magos e bruxos instruídos na Lankika, ou forma inferior da ciência dos Yddhi.

Todas as pretensões falsas de haver alcançado conhecimentos sobrenaturais consideram-se, para os monges, como pecados imperdoáveis (Tevijja Sutta). 378. P. – Mencionou-se um "deva" que se apareceu ao príncipe Siddhartha sob variedade de formas; o que creem os budistas a respeito das raças de seres elementais invisíveis que têm relação com a humanidade? R. – Creem que existem esses seres, os quais habitam mundos ou esferas próprios.

A doutrina budista diz que, por interno desenvolvimento de si mesmo e domínio sobre sua natureza inferior, o Arhat se torna superior até aos mais poderosos dos devas, e pode subjugar e dominar as ordens inferiores.

379. P. – Quantas classes de devas há? 88 quinta parte

R. – Três: Kāmāvācharā (os que estão ainda sob o domínio das paixões); Rūpāvācharā (classe superior que retém ainda uma forma individual); Arūpāvācharā (os mais elevados em grau de purificação, que estão desprovidos de formas materiais). 380. P. – Devemos temê-los? R. – Aquele que é puro e de coração compassivo, e de mente valorosa, nada deve temer; ninguém: homem, deus, brahmarakkhas, demônio ou deva, pode lhe fazer dano; mas alguns podem atormentar os impuros, assim como os que os atraem.

APÊNDICE

O seguinte texto das catorze proposições de fé que foram aceitas como princípios fundamentais, tanto no Budismo do Norte quanto no do Sul, por comitês autorizados a quem as submeti pessoalmente, têm tal importância histórica, que o acrescento à presente edição do Catecismo Budista, como um Apêndice.

Recentemente, informou-me Sua Excelência, o Príncipe Ouchtomsky, erudito orientalista russo, que, tendo sido o documento traduzido, os principais Lamas dos grandes mosteiros mongóis declararam-lhe que aceitavam as catorze proposições aqui redigidas, com a única exceção de que eles creem que a data do advento do Buda é vários milhares de anos anterior à que eu fixo.

Este fato surpreendente não havia chegado até agora ao meu conhecimento.

Será que a Sangha Mongola confunde a época real de Sakya Muni com a de seu predecessor anterior? Seja como for, é um fato muito alentador que todo o mundo budista esteja agora unido ao menos no que abrangem estas catorze proposições.

H. S. O. CRENÇAS BUDISTAS

FUNDAMENTAIS

I - É princípio geral aos budistas demonstrar a mesma tolerância, a mesma indulgência e amor fraternal a todos os homens, sem distinção; e mostrar também uma bondade imutável para com os animais.

II - O universo evoluiu, não foi criado; funciona de acordo com uma Lei, não segundo o capricho de nenhum Deus.

III - As verdades sobre as quais está fundado o Budismo são naturais.

Cremos que foram ensinadas em sucessivos kalpas, ou períodos do mundo, por certos seres chamados Budas, cujo nome significa "Iluminado".

IV - O quarto Instrutor do presente kalpa foi Sakya Muni, ou Gautama Buda, que nasceu em uma família real na Índia, há cerca de 2.500 anos.

É um personagem histórico e seu nome era Siddhartha Gautama.

V - Sakya Muni ensinava que a ignorância produz o desejo; o desejo não satisfeito é a causa do renascimento, e o renascimento é a causa do sofrimento.

Para desvencilhar-se do sofrimento, portanto, é necessário livrar-se do renascimento; para livrar-se do renascimento, há que extinguir o desejo; e para extinguir o desejo, há que destruir a ignorância.

VI - A ignorância engendra a crença de que o renascimento é uma coisa necessária.

Quando a ignorância é destruída, reconhece-se a degradação que supõe cada um de tais renascimentos, considerados como um fim em si mesmos; assim como se reconhece a suprema necessidade de adotar um gênero de vida pelo qual possa ser abolida a necessidade de tais repetidos renascimentos.

A ignorância também engendra a ideia ilusória e ilógica de que só há uma existência para o homem; e essa outra ilusão de que esta vida única é seguida por estados de imutável prazer ou tormento.

A dissipação de toda essa ignorância pode ser alcançada pela prática perseverante de um altruísmo que tudo abrange na conduta, pelo desenvolvimento da inteligência, pela sabedoria no pensamento e pela destruição do desejo dos prazeres pessoais inferiores.

Sendo o desejo de viver a causa do renascimento, quando esse desejo se extingue, os renascimentos cessam, e o indivíduo perfeito alcança pela meditação esse estado superior de paz chamado Nirvāna. 9 - Sakya Muni ensinou que a ignorância pode ser dissipada e o sofrimento afastado, pelo conhecimento das quatro Nobres Verdades, a saber: 1- Existir como uma personalidade separada condena ao sofrimento e à dor.

2- A causa suprema da miséria é o desejo de possuir e conservar o possuído.

3- A libertação da dor se alcança descartando todos os desejos, exceto o do reto conhecimento.

4- O Caminho que conduz à libertação e à cessação de todos os opostos é o Nobre Óctuplo Caminho, o caminho da imortalidade: Reta Crença; Reta Aspiração; Reta Palavra; Reta Conduta; Retos Meios de Vida; Reto Esforço; Reta Atenção; Reta Meditação.

- A Reta Meditação conduz à iluminação espiritual, 92 crenças budistas fundamentais

ou ao desenvolvimento dessa faculdade de semelhança com o Buda que está latente em cada homem.

- A essência do Budismo, tal como foi resumida pelo Tathagatha (o próprio Buda), consiste em: Cessar de fazer o mal, Alcançar a virtude, Purificar o coração.

- O universo está sujeito a uma causação natural conhecida pelo nome de "Karma". Os méritos e deméritos de um ser em existências passadas determinam sua condição na presente.

Cada homem, portanto, preparou as causas dos efeitos que agora experimenta.

- Os obstáculos para a aquisição de bom karma podem ser afastados pela observância dos seguintes preceitos, que estão compreendidos no código moral do Budismo, a saber: não matar; não roubar; não se entregar a prazeres sexuais ilícitos; não mentir; não tomar drogas ou licores embriagadores.

Há outros cinco preceitos que não é necessário enumerar aqui para observância daqueles que quiserem alcançar, mais rapidamente que o homem comum leigo, a liberdade da dor e do renascimento.

- O Budismo repudia a credulidade supersticiosa.

Gautama Buda ensinou que era dever do pai que seus filhos fossem educados em ciência e em literatura.

Também ensinou que ninguém deve acreditar no que diga algum sábio, no que esteja escrito em algum livro ou no que afirme a tradição, a menos que esteja de acordo com a razão.

Redigido como programa comum que todos os budistas podem aceitar.

H. S. OLCOTT, P. S. T. Respeitosamente submetido à aprovação dos altos sacerdotes das nações que nós representamos em diferentes formas, na Conferência Budista reunida em Adyar, Madras, nos dias 8, 9, 10, 11 e 12 de Janeiro de 1891 (2434 do Budismo).

Japão Kozen Gunaratana Chiezo Tokuzawa

Birmânia U. Hmoay Tha Aung

Ceilão Dhammapala Hevavitarana

Os Maghs de Krshna Chaudra Chowdry Chittagong por seu procurador Maung Tha Dwe

Birmânia Aprovado em nome dos budistas da Birmânia, no terceiro dia de Fevereiro de 1891 (2434 do Budismo). Tha-tha-na-baing Sa- ydawgy; Aung Myi Shwebón Sayadaw; Me-ga-waddy Saya- daw; Hmat-Khaya Sayadaw; Hti-lin Sayadaw; Myadaung Saya- daw; Hla-Htwe Sayadaw; e outros dezesseis.

Ceilão Aprovado em nome dos budistas do Ceilão em 25 de Fevereiro de 1891 (2434 do Budismo); Mahanuwara upawsatha pusparama viharadhipati Hippola Dhamma Rakkhita Sobhitábhidhana Maha Nayaka Sthavirayan wahause wamha.

(Hippola Dhamma Rakkhita Sabhitabhidhana, Grande Sacerdote do Vihare Malvatta em Kandy). Assinado: HIPPOLA Mahanuwara Asgiri viháradhipati Jatawatte Chandajottyá- bhidhana Mahá Náyaka-Sthavirayan wahause wamha - (Ja- tawatté Chandajottyábhidhana, Grande Sacerdote de Asgire Viha- re em Kandy). Assinado: JATAWATTE

Hikkaduwe Sri Sumangala Sripádastháne saha Kolamba palate pradhana Náyaka Sthavirayo (Hikkaduve Sri Sumangala, Sumo Sacerdote do Pico de Adão e do Distrito de Colombo). Assinado: H. SUMANGALA

Maligawe Práchina Pustakáláyadhyakshaka Suriyagoda So- nuttara Sttravirayo (Suriyagoda Sonuttara, bibliotecário da Biblioteca Oriental do Templo da Relíquia do Dente em Kandy). Assinado: S. SONUTTARA

Sugata Sásanadhaja Vinayá cháriya Dhammalankárábhid- hána Náyaka Sthavira.

Assinado: W. DHAMMALANKARA

Pawara neruttka chariya Maha Vibhavi Subhuti de Waska- duwa.

Assinado: W. SUBHUTI

Japão Aceito como parte das doutrinas do Budismo do Norte.

Shaku Genyu (Shingon Shu) Fukuda Nichiyo (Nichiren Shu) Sanada Seyko (Zeu Shu) Ito Quan Shyu (Zeu Shu) Takehana Hakuyo (Yodo Shu) Kono Rioshin (Ji – Shu Shu) Kiro Ki – ko (Yodo Seizan Shu) Harutani Shinsho (Tendai Shu) Manabe Shun – myo (Shingon Shu)

Chittagong Aceito pelos budistas de Chittagong Nagawa Parvata Vi- haradhipati Guna Megu Wini – Lankara

Harbing, Chittagong, Bengala BIBLIOGRAFIA

O Catecismo Budista foi compilado tomando como base estudos pessoais do Ceilão, e em parte com as seguintes obras: Textos de Vinaya, Davids e Oldenberg; Literatura Budista na China, Beal; Cadeia de Escrituras Budistas, Beal; Parábolas de Buddhaghosa, Rogers; Lendas do nascimento do Budismo, Fausboll e Davids; Lenda de Gautama, Bigaudet; Budismo Chinês, Edkins; Kalpa Sutra e Nava Patva, Stevenson; Buda e o Budismo primitivo, Lillie; Sutta Nipata, Sir Coonara Swami; Nagananda, Broyd; Kusa Jataka, Steele; Budismo, Rhys Davids; Dhammapada, Fausboll e Max Muller; História romântica de Buda, Beal; Udanavarga, Rockhill; Doze Seitas Budistas Japonesas, B. Nanjio; O Evangelho do Buda, Paul Carus; O Dharma, Paul Carus; Índia Antiga, R. C. Dutt; As séries de "Livros Sagrados do Oriente", edição de Max Muller; Enciclopédia Britânica.

Teosofia e A Sociedade Teosófica

A Sociedade Teosófica, fundada em 1875, é uma organização mundial cujo objetivo primário é a Fraternidade Universal baseada na compreensão de que a vida, em todas as suas diversas formas, humanas e não humanas, é indivisivelmente Una.

A Sociedade não impõe nenhuma crença a seus membros, que se unem por uma busca comum da verdade e pelo desejo de aprender o significado e o propósito da existência, comprometendo-se ao estudo, à reflexão, à pureza de vida e ao serviço altruísta.

A Teosofia é a sabedoria que subjaz em todas as religiões quando estas são despojadas de acréscimos e superstições.

Oferece uma filosofia que torna a vida compreensível e demonstra que a justiça e o amor guiam o cosmos.

Seus ensinamentos ajudam o desenvolvimento da natureza espiritual latente no ser humano, sem dependência ou temor.